Durante a Expo Y, conversei com algumas pessoas sobre a natureza das atividades de crowdsource, inclusive offline, e como de repente todo mundo acha que se trata unicamente de web 2.0, dê sua ideia, dê seu voto, quando na verdade trata-se de produção social, socializada, coletiva. Destaque para o termo “produção”, e não individual do tipo “eu fiz” ou “eu gosto”.

Vale um post do tipo back to basics.

Estamos a pouco mais de um mês para a realização da I Conferência Internacional Crowdsourcing, Co-Criação e Comunidades em São Paulo. Ontem, o líder global da comunidade da Lego, Peter Esperen, falou em uma universidade sobre o case de co-criação (com consumidores) da Lego. E ainda tem muita gente confusa, entendendo apenas um pedaço da história (a camada web 2.0). Há algumas semanas, Shaun Abahamson explicou no que consiste de fato a produção social, no que se difere. Acho que é hora de retomar.

Já dizia um provérbio holandês: “it is lonely at the top” (é solitário no topo). Algumas pessoas completaram a frase com “ao menos é confortante ver as pessoas lá embaixo” (Larry Kersten) e “estou cansado de ter companhia” (Wiz Khalifa). No fundo, a “solidão no topo” é uma verdade replicada no mundo organizacional como justificativa para tomadas de decisões por altos escalões – como se as informações usadas por eles não viessem de outras fontes. Obviamente é mito esta coisa de decisões estritamente técnicas quando o assunto é intangível, o processo tem bastante de oblíquo (o que não é uma falha, mas tem gente que maquila como se fosse).

Muita gente acredita que ser empreendedor é saber sozinho para onde a coisa deve ir, como se fosse dono de um saber secreto ou se os outros não tivessem o mesmo interesse em ir junto. Como lê-se em artigo de Pedro Carvalho Murad: “o mito do herói se configura dentro de uma rotina básica: (…) toda narrativa consiste nessa jornada ao extraordinário, na qual o herói terá que enfrentar desafios, num embate de vida e morte, morrer e ressuscitar, retornando ao mundo especial, trazendo algo novo, como que um prêmio. (…) Alguém (o Herói) sempre quer alguma coisa e se aventura por consegui-la, pelas sucessivas rupturas e deslocamentos“.

Então

Crowd= termo em inglês para multidão. Source = termo em inglês para fonte, origem. Então, crowdsource designa tudo aquilo que teve origem na multidão, que foi gerado entre múltiplas pessoas. Por exemplo, a Wikipedia, que tem 10 anos, ou a World Wide Web como um todo, as eleições, desde sempre, o trânsito, as torcidas de futebol. Portanto, não se pode dizer quando aconteceu o primeiro fenômeno produzido coletivamente por uma multidão. Creio que nem mesmo na Internet.

Primeiro crowdfunding offline do Brasil?

De qualquer forma, o crowdsource é um jeito de desenhar processos de fazer coisas junto, e que nos rende variações, como o crowdfunding (financiamento coletivo), que conta com o Kickstarter como primeira e maior referência, mais uma série de similares no Brasil e fora. Agora, já imaginou crowdfunding offline voltado para algum projeto (sem contar esmola ou rachar vaquinha)?

Toquei no assunto com a Márcia Matos (conhecida pelos trabalhos misturando empreendedorismo, educação e mundo digital que ela fazia no Sebrae Nacional), e ela falou da campanha “Ouro pelo bem do Brasil“, que aconteceu na década de 60 por iniciativa de um grupo de mídia e deu aos doadores, como insígnia de meritocracia, um anel de metal com a inscrição “Legionários da Democracia”. Dizem que a campanha era para ajudar o Brasil a sair da crise, mas há controvérsia sobre a aplicação da fortuna arrecada.

E aí­, você realmente anda inovando? E Produzindo socialmente?