Ontem estive no centro de São Paulo e fiquei impressionado com uma cena que presenciei. Aproximadamente 25 pessoas cercavam um homem que falava ao microfone e gesticulava em uma lousa.

O assunto: matemática! O método: evangelização do tipo “quem sabe faz ao vivo” e argumentação. O objetivo: vender CDs de ví­deo-aula. Um caso bastante fora da curva de “consumer development”?

Mas, quem é que se interessa por aula de matemática? Ainda mais em “pleno centrão”? Engana-se quem acha que a matemática não tem nada a ver com o dia-a-dia de muitas profissões. E é justamente esta barreira que o professor William Barbosa tenta diminuir com seu produto Matemática Simples.

“O problema dos países menos desenvolvidos é que o povo tem preguiça de ler, preguiça de pensar. A matemática é baseada em lógica, é necessário e útil para a vida toda”. Foi bradando frases desse tipo de uma forma bastante carismática e firme, com a urgência e a manha de um rapper, a desenvoltura de um sábio prático e a dedicação professoral que William fez diversas pessoas se interessarem pelos CDs que a assistente dele exibia para venda. “Aqui na hora é 15 Reais, no site é 35”.

O método demonstrado e vendido por William consiste em uma forma mais simples de aprender matemática do que se costuma encontrar em escolas. Foi desenvolvido pelo irmão de William, o também professor Márcio Barbosa, e até o filho de William, Mateus, agora com 9 anos, dá palestras e demonstrações.

E não trata apenas de adição e subtração: as aulas chegam a envolver assuntos financeiros. Fiquei super entusiasmado, só não comprei porque não tinha cédulas!

Mas enfim, não estou contando essa história para dizer que a matemática ou a demonstração nos calçadões populares é a nova tendência promissora nos negócios de startups. Certamente o produto apresentado tem uma baixa barreira de entrada de competidores, mas a forma como eles fazem consumer development me pareceu excelente e digna de “nota mental” para lembrar na hora de mostrar (não apenas explicar) por que tal produto é bom – seja ele algo simples ou mais sofisticado, um bem físico ou cultural. Está aí­ uma bela forma de inovação e negócio social – usando TIs aplicadas para suporte, promoção e venda.