Na primeira vez em que encontrei Olivier Grinda, achei que o entusiasmo dele com o Brands Club se devia em parte à euforia da festa em que estávamos (o Sonico lançava sua versão brasileira) e em parte ao próprio papel dele como chief marketing officer.

Semana passada, o clube de compras virtual brasileiro recebeu um investimento de US$ 17 milhões. Resolvi retomar a conversa – dessa vez, com toda seriedade – e pude entender por que tanto os sócios como os investidores vêem o Brands Club como uma máquina de dinheiro.

Eu não estou falando de uma impressora de cédulas ou de pirâmide. Falo do que diferencia uma ideia de negócio de um negócio de verdade. O Brands Club pode ter nascido de milhares de ideias, mas foi também aprovado no filtro dos critérios de oportunidade e vem retendo consumidores satisfeitos a partir de uma forma muito boa de vender seu business design (um combinado de estratégia, fonte de receita e modelo operacional).

Entrevistei Olivier, que também é co-fundador da empresa, para entender o que os investidores viram.

O Brands Club é um modelo inspirado em outros cases desenvolvidos em outros países. Foi necessário alguma adaptação para aplicar no Brasil?

Fazemos parte do grupo Brand Alliance, que tem clubes de descontos na Suiça, Canadá, Austrália, Rússia, ͍ndia. Grande parte dos desafios são comuns em todos os países – como oferecer preços melhores e marcas melhores. No Brasil, foi fácil crescer rápido: brasileiro gosta de marcas e de desconto.

Desde a abertura no Brasil (em março de 2009), o Brands Club passou por alguma mudança?

Já mudamos tudo! Iniciei com 3 sócios e 4 pessoas, agora somos 151. Por exemplo, temos 35 pessoas no customer care (atenção ao usuário), 20 pessoas na TI. No dia a dia, mudou tudo. Primeiro, entramos com consumer care para atender as dúvidas dos clientes. Uma exclusividade no Brasil é que temos um chat ao vivo no site.

Também adotamos um warehouse (armazém) maior. Recentemente, implementamos o login via redes sociais. Por exemplo, temos no Twitter 7.500 followers, maior do que qualquer clube de compras privado do mundo.

Uma das características do Brands Club é o uso de redes sociais e o vale-desconto dado aos usuários cujos convidados realizarem compras. Isso vem impactando no aumento da base de usuários? E no faturamento? E além disso, foi necessário fazer uma certa evangelização para que as pessoas entendam como funciona um clube de compras privado e online?

Impactou muito! Simplesmente conversando com o público sobre tendências de moda, por exemplo, sem falar de dúvidas diretas do negócio, podemos saber o que eles querem, nos relacionar. A cada dia interagimos com eles. Temos 1.200 usuários e faturamos R$ 25 milhões em 9 meses. Para este ano, a meta é manter 3 mil usuários e faturar R$ 100 milhões.

O Brands Club inova ao combinar tecnologia (desde o site até o estoque de roupas), a forma de aplicação social (a forma como as pessoas vão usar o serviço/comprar/recomendar) e o modelo de negócios (promoções temporárias de marcas premium). Qual desses aspectos é mais desafiador, mais difí­cil? E qual representa mais oportunidade, mais sucesso?

O Brands Club depende de todos esses fatores. Para nós, é fundamental boa comunicação de ofertas + site funcionando + descontos agressivos.

O Brands Club recebeu um round de investimentos da Naspers. O que vão fazer com esse dinheiro?

Com o investimento, vamos só acelerar e melhorar nossa trajetória. Fazer tudo melhor.