A partir da vontade de empreender, estudantes da Universidade de São Paulo, criaram um guia colaborativo online de serviços locais chamado Kekanto. O guia funciona como um boca a boca online: as pessoas formam suas redes sociais, avaliam negócios locais (de restaurantes a marceneiros) e, quando precisam de algum serviço, encontram facilmente a opinião de seus amigos a respeito de diversos provedores.

O guia criado por Bruno Yoshimura (do Instituto de Matemática e Estatística) e Fernando Okumura (da Faculdade de Direito) é baseado em municípios, mas está disponível em todo o Brasil. “Nossa missão é criar um circulo virtuoso de consumidores mais satisfeitos e empresas com melhores serviços”, posiciona Okumura. Qualquer pessoa pode cadastrar serviços comerciais dos seus municípios e submeter resenhas analíticas dos produtos ou do atendimento.

O guia ajuda consumidores a tomarem decisões de consumo mais informadas e diminui os custos de transação. Empresas locais também se beneficiam na medida em que podem utilizar as resenhas de seus clientes para melhorar seus serviços. “O projeto foi desenvolvido entre as aulas, não foi objeto de curso. No momento não estamos procurando investidores. Nossa prioridade é deixar o serviço redondo para que ele agregue valor aos usuários”, explica o co-criador, ressalvando que mais tarde terão um modelo de negócios definido.

O design é um dos pontos mais fortes do projeto: centrado no gênero redes sociais, tomando o Facebook como principal player do gênero. Serviços similares incluem o Yelp, Qype, Citysearch, Tripadvisor (na categoria viagens), etc. Serviços colaborativos e de UGC (user generated content) em geral têm conceitos similares.

O Kekanto procura romper as limitações do boca a boca tradicional e produzir resultados imediatos, com mais opções de serviços cadastrados e com a mesma riqueza de informações. Os resultados são decisões de consumo mais rápidas e informadas e, consequentemente, consumidores mais satisfeitos. Confira uma entrevista exclusiva.

Como exatamente acontece a relação entre consumidores e empresas no Kekanto?

Okumura: “Queremos que as empresas também se beneficiem do serviço. Através das resenhas dos usuários, as empresas poderão identificar o que fazem bem e o que precisam melhorar, ajustando suas operações de acordo. Lembramos todos usuários que estão prestes a escrever uma resenha de que o Kekanto não é um espaço para desabafos. A ideia é escrever resenhas úteis e construtivas tanto para os outros usuários quanto para as empresas”.

Dá um exemplo.

Okumura: “Com custos de transação, nos referimos aos recursos gasto na seleção de provedores de serviço e na remediação de escolhas equivocadas. O setor da construção civil é um caso típico: ao construir uma casa, por exemplo, o consumidor precisa selecionar centenas de provedores de serviço (como fundação, empreiteiros, gesseiros, marceneiros, encanadores, eletricistas, etc.).

O processo mais típico é buscar alguém que conheça um bom marceneiro, empreiteiro, etc. – seja um amigo, parente, arquiteto. O problema disso é que o tempo gasto para encontrar um amigo que tenha tido uma boa experiência e tenha as informações de contato do provedor é relativamente grande e o número de opções acaba sendo reduzido”.

Você imagina alguma mudança cultural no mercado B2B entre empresas ou mais B2C, diretamente com o consumidor final?

Okumura: “A cultura aqui no Brasil é muito pró consumidor, provavelmente porque o sistema jurídico não é tão eficiente como poderia. O Código de Defesa do Consumidor dá uma proteção ao consumidor final muito mais ampla que o Código Civil o faz em uma relação B2B, entre empresas. Assim, o conforto em reclamar, se for o caso, é muito maior para o consumidor pessoa física.

A interação é mais pontual (ou pode se tornar a qualquer momento). Com isso, a propensão a dar feedback (sobretudo negativo) é maior, pois não se corre o risco de danificar um relacionamento mais perene como no caso B2B entre empresas.