Faz um bom tempo que já se desmistificou a crendice de que, na nova economia global, digital e em rede, basta ter uma ideia, vendê-la e ficar rico. Já se sabe que é preciso ter plano de negócios, equipe de gestão e desenvolvimento de produto, a princípio, para convencer investidores a apoiarem.

Mesmo assim, ainda se ouve bastante gente falando que está abrindo a startup apenas para buscar investimento ou vendê-la. Isso não é errado, mas não é toda a verdade. Aliás, tanto no Brasil (que ainda está formando sua cultura de investimento anjo em startups de tecnologia) quanto no Vale do Silício (cheio de histórias de sucesso), não há uma verdade absoluta que seja única.

Entretanto, o meio do caminho reserva algumas etapas e fases que costumam acontecer em certos padrões.

No livro A arte do começo, o “spamurai” Guy Kawasaki (que foi evangelista-chefe na Apple e fundou a Garage Technology Ventures) já recomendava: adie o aporte de investimento. Ou seja, o conselho dele é que o empreendedor não se iluda achando que o problema é sempre a falta de dinheiro. Mas não precisa ser Kawasaki para perceber que dinheiro traz preocupação, e que há sim um longo caminho indispensável para se chegar até o investimento. Não se apresse, pois quando você contrata sócios-investidores, “a conversa é outra”, você precisa estar pronto para aguentar um ritmo muito mais formal.

Você realmente precisa de um investidor agora? A pergunta que não quer calar dá título a um ótimo artigo do investidor Yuri Gitahy, no blog da Aceleradora. Desde 2007, Yuri e alguns profissionais em diferentes estados brasileiros vem fazendo um trabalhando de mentoring, ajudando startups a chegarem até o ponto ideal para receberem investimento.

Para Yuri, o ponto ideal é quando a startup consegue ter fluxo de caixa, pois isso é prova de que existe demanda, um negócio. Prova que a startup é viável e pode se sustentar. A questão é como chegar ate esse ponto. No post dele, há uma série de dicas simples e pontuais que você pode seguir. Podem ser novidade para alguns ou básicas demais para outros, mas certamente teriam feito a diferença em diversos pitches que avaliei durante a Campus Party.

Todavia, a resolução dos problemas da sua startup talvez não venha com a simples leitura (ou mesmo implementação) de dicas impessoais. É por isso que o trabalho de profissionais como o Yuri e os outros da Aceleradora se fazem necessários: eles já testemunharam de perto, ou já venceram pessoalmente vários obstáculos, conhecem o caminho, e fazem uma verdadeira terapia para ajudar as startups a terem operações (rotinas de trabalho) enxutas, produtos bem resolvidos, preços realistas.

Você pode tentar fazer tudo – esta é uma forte e necessária característica dos empreendedores. Mas não precisa “se queimar” ou se perder no mercado errando em coisas que outras pessoas podem ajudar facilmente.