Publicamos integralmente um artigo exclusivo, encaminhado pelo consultor Maurício Longo para publicação no Startupi. Maurício também é escritor e palestrante, especializando-se em estratégia e arquitetura para negócios na Web. Já teve o privilégio de trabalhar na fase startup de diversas empresas. Você pode acompanhar Maurí­cio no Twitter, ler seus artigos no blog Diário da Vida Digital e em outros blogs que mantém.

“Quando participamos de uma empresa em fase de startup o mais comum é a falta de quase tudo. Não é incomum que acabemos executando atividades que não têm qualquer relação com o que fazemos normalmente, simplesmente porque algo precisa ser feito e ainda não há quem faça. Os fuzileiros norte-americanos têm uma atitude em sua tradição, definida por três palavras que resumem o espírito necessário para trabalharmos em uma startup: improvisar, adaptar-se e superar.

Quando você ainda não tem pessoal ou equipamento para executar uma atividade que precisa ser executada de imediato, é necessário improvisar. Quantas vezes me vi orientando pessoas da minha equipe a pegar um computador desktop e transformá-lo num servidor… Alguma coisa precisava ser testada ou um site precisava ser colocado no ar, mas o servidor novo para aquela função só iria chegar em duas semanas.

Quando trabalhamos para colocar uma empresa nova para rodar isso é uma constante, por melhor que seja o planejamento. Fornecedores atrasam e contratações demoram mais do que o planejado. Quanto mais rapidamente você assumir uma atitude no sentido de que obstáculos existem para ser transpostos, mais sucesso você vai ter.

Foi com grande felicidade que notei, após alguns meses trabalhando com uma equipe, em uma das empresas startup por onde passei, que as pessoas naturalmente abraçaram esta atitude e se adaptaram a lidar com os problemas, sem considerá-los obstáculos intransponíveis. A equipe inteira passou a encarar um problema como algo que precisava ser resolvido, com os recursos que estivessem disponíveis, da melhor forma possível.

Esta postura elimina grande carga de stress e, ao mesmo tempo, quando identificada pelo conselho e/ou investidores, ajuda a “vender” o caso para a realização dos investimentos necessários. Você tem muito mais chance de conseguir aprovar um investimento adicional em um serviço que já esteja executando e que prometa ter um bom resultado caso receba apoio, do que com uma apresentação na qual explique que não pode fazer nada antes de ter o dinheiro.

Um caso ilustra perfeitamente este espírito. Aconteceu há uns três anos, quando, em meio a uma manutenção de rotina em um sistema de firewalls redundantes, com failover automático, um bug na versão do software que estava sendo instalada no servidor de backup fez com que o primário caísse. De um segundo para o outro a empresa estava sem acesso à Internet, o que, para uma operadora de serviços on-line é o maior dos problemas.

Enquanto o técnico do fabricante tentava desesperadamente resolver o problema, um dos membros da minha equipe puxou uma velha maquininha desktop de baixo da bancada, pegou um par de placas de rede adicionais no armário e sacou de dentro da gaveta um disquete com uma distribuição Linux, específica para firewalls. Nunca imaginei que alguém pudesse partir de componentes de hardware e chegar a um firewall funcionando em cinco minutos, mas foi o que o rapaz fez. Com a maquininha ligada, puxou os cabos da máquina que o técnico ainda tentava reparar e conectou-os ao firewall improvisado, restaurando o acesso.

Uma vez que a equipe esteja engajada e pronta para ver os obstáculos como desafios ao invés de problemas, você descobre que superá-los não é tão difícil quanto pode parecer num primeiro momento.

Certa ocasião, ao juntar-me, na condição de gerente de pré-vendas, a uma empresa startup que tinha seis meses de vida, fui parar em São Paulo, já em meu segundo dia de trabalho. Uma área de produtos fazia falta, por lá, e, como a sede carioca da empresa ainda estava em obras, pediram-me que eu trabalhasse naquela cidade, na formatação dos produtos da empresa e nos acordos de ní­vel de serviço (SLAs). Eu nunca tinha trabalhado formalmente na área de produtos, tampouco ajudado a redigir contratos, mas a empresa precisava que estas coisas fossem feitas e eu tinha o conhecimento necessário para garantir que fossem feitas corretamente.

Em uma empresa que está iniciando, você sempre estará sujeito a ter que fazer coisas que nunca fez ou que não sejam de sua área – sempre encare estas situações como oportunidades para crescer e ampliar sua experiência. Com isso você certamente terá mais confiança para superar desafios ainda maiores, mais adiante”.

O artigo acima foi encaminhado pelo consultor Maurí­cio Longo para publicação no Startupi e foi publicado integralmente. Maurício também é escritor e palestrante, especializando-se em estratégia e arquitetura para negócios na Web. Já teve o privilégio de trabalhar na fase startup de diversas empresas. Você pode acompanhar Maurício no Twitter, ler seus artigos no blog Diário da Vida Digital e em outros blogs que mantém.