Quando seu carro está com o tanque na reserva, você dirige mais rápido pra chegar logo no posto de gasolina (ou álcool) ou vai mais devagar pra gastar menos e garantir que você chega lá?

E se você não sabe se o próximo posto tem combustível? Isso muda sua estratégia? Se você tem uma teoria a respeito, deixe um comentário abaixo.

Uma coisa é você trabalhar em uma startup e ouvir pessoas dizendo “estamos numa bolha, já, já isso acaba”. Enquanto os VCs continuam mandando milhões de dólares pra manter a operação é bem fácil de ignorar. Outra coisa é você tentar tocar a sua própria startup e a tal bolha – até então tão abstrata quanto algumas estruturas de dados que você conhece – se transforma na pior crise econômica da história. Essa transição ocorreu durante a segunda metade de 2008 aqui nos EUA. No início bem devagar até que começou a quebradeira em Wall Street.A realidade é que novos investimentos praticamente deixaram de existir, a fonte secou. VCs estão mais preocupados com a sobrevivência das empresas que investiram nos últimos anos – cuide que seus filhos sobrevivam ao invés de fazer mais filhos – do que investir em novas ideias. Com uma passada de olhos no fórum on-line exclusivo de empreendedores TheFunded.com percebe-se logo que muito poucos contratos de investimento estão sendo fechados.

Mas quem precisa de investidores? Paul Graham, homem por trás da iniciativa do Y Combinator tem incentivado startups a serem criadas durante esta crise.

“…A solução para tornar uma startup imune a recessões é exatamente manter a mesma estratégia em tempos de vacas gordas: operar da forma mais barata possível. Por vários anos eu tenho dito a fundadores que o caminho do sucesso é se tornar uma barata do mundo corporativo. A causa de morte imediata de uma startup sempre será falta de dinheiro. Portanto o mais barato que sua empresa conseguir funcionar o mais difícil vai ser de fracassar. E felizmente tornou-se muito barato pra se operar uma startup. Uma recessão, se muito, vai tornar ainda mais barato.”

Exato. A boa noticia é que, hoje em dia, startups são menos dependentes de grandes investimentos. A quantidade de ofertas e liquidações por causa da crise é impressionante:

  • Aluguel de escritórios em Nova York tem caído a níveis bastante razoáveis (uma CEO amiga minha mudou todo o time de sua casa pra um escritório em Manhattan essa semana porque agora “ficou em conta”) ou mesmo esquemas alternativos de co-working são ótimas opções.
  • Empresas que não queriam se arriscar fazendo negócio com startups agora ligam de volta perguntando se ainda existe o interesse naquele projeto.
  • Com tanta gente sendo demitida de empresas grandes fica mais fácil achar ajuda, mesmo que temporária – porque não é qualquer um que tem nervos de aço pro mundo de startup.
  • Sem contar a opção de times offshore. A maioria das startups que eu tenho contato aqui em Nova York utiliza equipes de tecnologia e design no Brasil, Argentina, Europa Oriental um vez que o cãmbio do dólar subiu com a crise.
  • Software livre junto com as tecnologias de virtualização e computação em nuvem baratearam imensamente o custo de infraestrutura inicial de um website. Com uns 200 dólares por mês você pode manter uma instalação de 4 ou 5 servidoresde aplicação e banco de dados usando a nuvem da Amazon.
  • Uma série de serviços web que Google, Yahoo e outros disponibilizam de graça evitam o gasto de tempo e dinheiro na tentativa de reinventar várias rodas.

Não é fácil iniciar uma empresa com o tanque na reserva, mas não é impossível.

Sobre o autor do texto, convidado especial:

Alberto Escarlate é CTO e sócio-fundador do TigerTag um serviço ainda ‘secreto’ que será lançado no primeiro trimestre de 2009. Também ajuda como CTO interino do aplicativo social de geolocalização YellowPin (atualmente roda no Facebook com versões pro MySpace e pra celulares sendo desenvolvidos). Antes disso Alberto foi CTO da Entertainment Media Works uma startup que criou vários produtos de comércio contextual (StarStyle, Stylelogue e Plink). Radicado em Nova York há 12 anos ele tem trabalhado sempre em projetos de tecnologia interativa de ponta. No Brasil, Alberto trabalhou como Diretor de Tecnologias e Projetos da Midialog, sendo parte do time original que formou a empresa antes de ser renomeada Agência Click. Blogueiro de primeira geração, Alberto já escreveu para blogs como Engadget, Silicon Alley Insider, TUAW, Smart Mobs dentre outros.