*Por Exame.com

O Yahoo já foi uma das maiores empresas de internet do mundo e seus produtos influenciavam as decisões das outras companhias do setor. Agora, depois de vender seus ativos principais para a Verizon, o Yahoo perdeu até seu nome. Os ativos que restaram, uma participação na gigante chinesa de comércio eletrônico Alibaba e o Yahoo no Japão, que operava de forma separada, foram nomeados de Altaba.

“Uma vez que a parte operacional da companhia for vendida à Verizon, não irá restar nenhuma operação na Altaba”, afirmou Paul Sweeney, analista de inteligência de negócios da Bloomberg em entrevista a Exame.com. Além disso, Marissa Mayer, que se tornou presidente da companhia há 5 anos para tentar reinventá-la, deixou o seu cargo, informou o Yahoo essa semana.

O futuro para o Yahoo, tanto os ativos que foram incorporados pela Verizon quanto para o que restou da empresa, ainda é incerto. A Altaba não será nada além de uma gestora de investimentos, sem qualquer semelhança com o que um dia foi a operação do Yahoo. Por outro lado, cabe à operadora norte-americana, que também controla a AOL, reviver a companhia que adquiriu.

Apesar das incertezas, a venda de seu negócio central de internet foi vista como positiva pela maioria dos investidores da companhia. “A maior parte dos investidores acredita que a transação foi um movimento sábio. É um negócio em dificuldades, com faturamento decrescente. A gestão do Yahoo foi incapaz de revitalizar o negócio, mas talvez a Verizon consiga fazer melhor”, disse o analista.

Concentração da internet

Ainda que o Yahoo seja um caso isolado, há outras empresas que estão com dificuldade de crescer, rentabilizar suas operações ou acompanharem as mudanças velozes do mercado de internet. Um exemplo é o Twitter. O número de usuários novos que ingressam na rede social tem desacelerado. Por isso, a companhia buscou um comprador em outubro do ano passado. Com milhões de usuários produzindo conteúdo em tempo real, poderia ser uma ferramenta para recolher dados de comportamento e aumentar a precisão da publicidade.

No entanto, a rede social não recebeu nenhuma oferta de compra, embora gigantes como Google, Facebook, Microsoft e Apple estivessem entre os principais suspeitos para a aquisição, o que fez com que seu valor de mercado despencasse. O Pinterest é outra empresa que apenas recentemente começou a faturar e o lucro ainda é um horizonte distante.

O que essas companhias têm em comum é o seu modelo de negócios. A principal fonte de receitas vem de anúncios. No entanto, o mercado de publicidade digital é dominado principalmente pelo Google e Facebook. “Outras empresas de internet, como o Twitter, estão lutando para competir por dólares vindos da propaganda”, afirma Sweeney.

Apesar das adversidades, há companhias promissoras que conseguem navegar bem nas águas tumultuosas do mercado de internet. Para Sweeney, o Snapchat e o Uber são duas companhias que estão crescendo rapidamente com modelos interessantes.

Histórico

Mas o que levou o Yahoo a encolher tanto assim? Apesar de ter feito sua jogada final recentemente, a empresa já vinha decaindo de forma silenciosa há muitos anos.

Com o surgimento de concorrentes como Google e Facebook, o Yahoo ficou para trás e perdeu muito espaço – e dinheiro. O mercado de anúncios digitais, uma das principais fontes de receitas tanto do Yahoo quanto da concorrência, cresceu 15% nos últimos anos. No entanto, o faturamento da companhia apenas decaiu nesse período.

A primeira estratégia foi contratar Marissa Mayer, ex-diretora do Google, para revolucionar o negócio. Forte e implacável, a sua contratação foi vista como a salvação para o Yahoo, mas acabou não gerando os resultados esperados.

Apesar de ter concluído aquisições importantes para a companhia, como o Tumblr em 2013, Mayer não conseguiu reerguer o faturamento do Yahoo, nem reconquistar a confiança dos investidores.

A princípio, Mayer propôs a venda da participação de 15% do Yahoo no Alibaba, gigante chinês de comércio eletrônico, que vale cerca de US$30 bilhões. A proposta, no entanto, foi rechaçada, já que esse era um dos poucos ativos lucrativos da companhia e a venda poderia gerar altos custos em impostos.

A última esperança foi, então, vender os ativos principais da companhia, contrário ao que Mayer buscava para a empresa. Foram colocados à venda os portais de conteúdo, divisão de propaganda, site de compartilhamento de fotos Flickr, o microblog Tumblr, serviço de e-mail e buscador, além de patentes de internet.

Entre várias companhias que demonstraram interesse no Yahoo, principalmente nos dados que ele acumulou em todos esses anos, a Verizon acabou vencendo a concorrência. A operação foi anunciada em julho e a operadora norte-americana afirmou que pretende integrar o Yahoo à sua divisão de conteúdo e publicidade digital.

No entanto, a história ainda não terminou. Após a divulgação recente de que um ataque hacker havia invadido quase 500 milhões de contas em 2014, a Verizon ficou com o pé atrás a respeito da negociação, ainda não concluída.

Por isso, a compradora está pressionando o Yahoo para diminuir o preço da operação. O “desconto” pedido seria de US$1 bilhão, de um total de US$4,83 bilhões. Até que essa operação de fato seja concretizada, o Yahoo ainda pode enfrentar muitos percalços.

*Por Karin Salomão da Exame.com.