Atualmente estamos vivendo sob uma nova perspectiva do que é empreendedorismo. A maior rede de transporte do mundo não tem nenhum carro, a maior empresa de hospedagem do mundo não tem nenhum quarto de hotel, as maiores empresas de telefonia não tem nenhum cabo, o maior varejista do mundo não tem estoque, a maior empresa de conteúdo do mundo não tem nenhum repórter, as maiores empresas de empréstimo do mundo não tem nenhum centavo no balanço e a maior empresa de cinema do mundo não tem nenhuma sala. Todas elas são startups.

“O que a gente se pergunta constantemente é “por que agora?'”, diz Edson Rigonatti, sócio da Astella Investimentos e palestrante da 5ª Conferência Anual Anjos do Brasil, em que falou sobre startups mutantes. O que tem acontecido para que tantas empresas com este perfil apareçam no mercado atualmente? “A resposta é relativamente simples: nunca na história foi tão barato lançar uma empresa”, diz Edson.

Seja com a ajuda de adventos como a Amazon Web Services, seja com qualquer outro tipo de ferramenta disponível, existem milhões de empreendedores lutando para se tornarem mutantes ao redor do mundo. Mas o que faz com que alguns destes empreendedores se tornem tão bem sucedidos? O que leva uma startup ao seleto grupo de empresas como Uber, Netflix, Airbnb, Skype e Facebook? De acordo com Edson, obviamente não existe nenhuma fórmula, mas existem padrões.

Edson Rigonatti, sócio da Astella Investimentos, palestra durante a Conferência Anual Anjos do Brasil 2016

Edson Rigonatti, sócio da Astella Investimentos, durante a Conferência Anual Anjos do Brasil 2016

Padrões

Edson explica que estas empresas têm quatro coisas principais em comum: super velocidade, audácia, ajuda externa e uma arma secreta. “Assim como na história dos insurgentes ao longo da humanidade, a gente aprende que estes caras vêm com alguma coisa natural, alguma arma de ataque e nada consegue segurá-los.”

E quais são estas armas secretas? Novamente, há quatro tipos principais delas: product management, growth hacking, costumer success e talent management. “Estas startups mutantes realizam estas coisas de uma forma completamente diferente de como as empresas vinham fazendo até hoje, e isso faz com que eles consigam alcançar uma tração inevitável”, diz Edson.

Investidores

Como os investidores-anjo podem encontrar esta espécie de empreendedor e como ajudá-los a alcançar o sucesso? É necessário considerar alguns pilares essenciais para esta busca: questões relacionadas ao time, mercado, recursos financeiros e crescimento organizacional.

“Quando a gente fala de time, acho que a coisa mais impactante e significativa no processo de identificar esses mutantes é que a média de idade de empreendedores de sucesso no mundo é de 38 anos”, explica ele. “Também é importante ressaltar que todos estes mutantes também chegam ao mercado já com 10 mil horas em alguma coisa. Dificilmente é alguma pessoa que não tinha uma vivência dentro do mercado onde está inserido seu produto.”

Além destas 10 mil horas, também é característico dos fundadores destas startups mutantes a capacidade de aprender muito mais rápido que os demais. Seja com auxílio de mentores, investidores ou simplesmente fome por aprendizado, eles aceleram seu crescimento de maneira significativa a partir do conteúdo que absorvem.

Eles também chegam no mercado como times. Dentro deste grupo de startups mutantes, a mediana é de três fundadores por empresa. Além disso, estes fundadores tendem a ter uma experiência prévia entre si. “A gente brinca que estes mutantes estão escalando um Everest. É muito difícil você descobrir quem é o chefe no meio da escalada. Para entrar para o mercado com esta hierarquia montada é extremamente relevante”, diz.

Por falar em montanha, estes empreendedores de sucesso, geralmente, sabem escolher a certa para escalar. Quem tem uma vasta experiência com negócios, por exemplo, atenderá grandes empresas. Quem entende de tecnologia, por outro lado, tem uma facilidade maior para criar empresas escaláveis como Facebook e Google. Por sua vez, times mistos são bons para e-commerces e marketplaces.

Sociedade

O maior desafio destas empresas é resolver as questões societárias. “Três pessoas resolvem fundar uma empresa, com 33% de participação para cada um. No primeiro ano um deles tem um filho, no segundo ano outro deles está cansado da vida de empreender e prefere voltar para o emprego formal, aí a empresa desmorona”, exemplifica Edson.

Entrar para o mercado com flexibilidade na composição societária é, para ele, de longe o que cria  as melhores condições para uma empresa conseguir se diferenciar no mercado e, literalmente, escalar. A startup precisa ter um montante significativo das suas ações em tesouraria para que, ao percurso da jornada no mercado, as distribuições necessárias sejam feitas e a empresa chegue ao topo da montanha com oxigênio suficiente.

Mercado

A empresa pode ter o time perfeito, o cap table certo, mas o que acontece se ela produz um produto que ninguém quer comprar? “A gente acha que é uma realidade só do empreendedorismo, mas em qualquer empresa, 50% dos novos produtos dão errado”, diz. Para Edson, saber identificar e saber conduzir a jornada do consumidor de uma maneira que reduza os riscos do empreendimento é um dos fatores de sucesso.

Também é muito comum que a pessoa tenha a equipe certa, a ideia certa, o produto certo, mas esteja no mercado na hora errada. “Será que o Facebook era tão melhor que o MySpace? Será que o Google era muito melhor que o Alta Vista? Ou será que estas empresas estavam simplesmente no lugar e na hora errada?”.

E mesmo estando na hora certa, também é possível que a empresa não encontre o arcabouço econômico necessário para levar a empresa adiante. “Você pode não achar um canal de distribuição que se pague ou um tipo de produto que os clientes vão querer ficar ao longo do tempo. Saber metrificar isso logo no começo e pelo menos criar hipóteses para que eles sejam viáveis vai fazer com que você consiga subir esta montanha de uma maneira mais rápida.”

Dinheiro

Todos os investidores e empreendedores, irremediavelmente erram nas estimativas vez ou outra. De acordo com Edson, demora de duas a três vezes mais do que o empreendedor espera para chegar no Produt Market Fit. Estar preparado para isto ou retardar a entrada no mercado até que se tenha condições ideais para começar é extremamente relevante.

Para ele, também é necessário entender que o empreendedorismo é um caminho que se percorre por fases. Reid Hoffman, empresário e investidor norte-americano, criou o conceito de que as startups passam por cinco ciclos organizacionais ao longo do caminho: família, tribo, comunidade, cidade e nação.

Saber que existem investidores especializados para cada uma destas etapas, que levam cerca de dois a três anos cada, é significativo para o sucesso no fim da jornada. “Cada etapa destas tem um montante de dinheiro, tamanho de equipe e tração adequados. Saber que a montanha é vencida por fases e que às vezes é preciso descer uma fase para conseguir subir mais duas é vital para a startup”, conclui Edson.

O STARTUPI Education, braço de educação profissional do STARTUPI, oferece cursos de capacitação para empreendedores que queiram buscar investimento e para investidores-anjo que queiram começar a atuar no segmento ou reciclar seus conhecimentos.

Com um time de especialistas como Fábio Povoa, João Kepler, Cássio Spina, Marcelo Nakagawa, Marcelo Pimenta, Geraldo Santos e Camila Farani, os cursos são desenvolvidos para proporcionar aos participantes aprendizado rápido, completo e com aplicação prática nos negócios. Saiba mais sobre a grade de cursos na página do STARTUPI Education.