* Por Luciano Del Monaco

O primeiro passo para investir é ter dinheiro para tanto, imagino que isso é algo bastante óbvio, mas sempre convém ser claro. Passado esse primeiro obstáculo o que você deve fazer é estabelecer qual o seu perfil de investidor e o que procura de um investimento, e nesse ponto imagino que um fundo de investimentos possa auxiliá-lo, especialmente se não quer investir tempo e quer apenas diversificar suas opções de investimento.

Estou considerando que você decidiu pessoalmente investir e procurar startups e demais tipos de empresa para empreender, e que faz isso procurando as taxas de lucratividade desse tipo de investimento, que superam outras opções já existentes. Meu objetivo aqui é fornecer um guia básico de pontos a serem evitados pelo investidor, pois, como é um segmento bastante complexo é pelo menos possível estabelecer limites do que não fazer.

Traga mais valor do que só dinheiro

Recentemente apresentei uma startup para um investidor, e uma das coisas que ouvi após a primeira reunião foi que o cliente (o dono da startup) gostou da conversa porque o investidor tinha algo a agregar ao modelo de negócios. Isso porque ser investidor é também ser mentor, pois é muito raro o modelo de negócios vir completamente formatado e muitas vezes uma pessoa mais experiente no mercado é capaz de ver pontos que o startupeiro não viu (o que é de se esperar).

Esse é o jeito correto de ser investidor, ao receber uma oportunidade procure avaliar se ela é interessante e se está alinhada com a direção de investimentos que pretende seguir, mas pense sempre que irá precisar trabalhar esse investimento. Não faça como os investidores hipsters que chegam e perguntam “Se eu te der 10 milhões quando me entrega 15?”, que apesar de ser uma frase de efeito (ótima para eventos e para mostrar um perfil “agressivo” e “descolado”) de fato não agrega nada ao startupeiro.

Lembre-se, e por isso é bom investir em empreendimentos que você conheça a área, provavelmente está falando com alguém mais novo e com menos conhecimento, se ele precisasse apenas de dinheiro poderia ir no banco pegar, mesmo que ele negue, no final das contas também vai precisar de mentoria de sua parte.

Veja os problemas jurídicos

Pode até parecer que estou puxando a brasa para minha sardinha (o que é parcialmente verdade), mas um problema comum que vejo é de pessoas que criam negócios muito interessantes que, ou não podem ser feitos dentro do sistema legal atual, ou correm o risco de serem destruídos da noite para o dia com uma mudança de regulamentação. Esse é um problema especialmente sensível em áreas muito regulamentadas como a de fintechs e saúde (tanto no Brasil como no exterior, não é um privilégio só nosso), então você precisa analisar as questões jurídicas antes de iniciar uma startup nesses setores.

A questão é que muito provavelmente o startupeiro não sabe da necessidade de uma formatação jurídica, e muitos são resistentes à figura do “advogado”, e nisso é papel do investidor ser precavido, é pouco simpático, porém as vezes é necessário dizer “Faça isso se quer receber o investimento”, não se esqueça que o investidor assume grandes riscos, e isso precisa ser mitigado de alguma forma.

Sendo bem direto, antes de investir a primeira coisa a fazer é entender se a startup poderá vir a desenvolver suas atividades de forma legal. Do contrário abandone a ideia, só depois disso é que se deve pensar em coisas como plano de negócio, marketing e todo um caminhão de questões, a menos que não se importe em exercer uma atividade ilegal.

Dois passos de uma longa caminhada

Esses são os dois primeiros passos sobre os quais você deve pensar antes mesmo de tentar ser um investidor, se não deseja investir tempo e conhecimento (além do dinheiro) o melhor a fazer é procurar um fundo de investimentos e deixar eles fazerem esse trabalho (também existem aceleradoras que podem ser investimentos interessantes também). O mais importante é fazer as perguntas e olhar os pontos que o startupeiro não viu, sim, é mais ou menos como bancar o “pai” (ou a mãe), no sentido que você deve ver de longe os problemas que podem vir a acontecer.

Obviamente, como fazer isso é uma tarefa difícil e que varia muito de setor para setor, porém isso é algo que vai depender da sua experiência e conhecimento, que vão ser demandadas sim, mas antes de tudo você vai precisar ter certeza que está disposto a agregar mais valor que só dinheiro, esse é o primeiro passo – ter atitude adequada a um investidor em startups.


foto-lucianoLuciano Del Monaco é advogado associado do VilelaCoelho Propriedade Intelectual, escritório especializado em Propriedade Intelectual, trabalhou no SEBRAE e possui bastante experiência assessorando startups. Além disso, é mestrando em filosofia do Direito e jogador medíocre de CSGO.