*Por In Hsieh

 Uma festa de abertura de capital de startup de aplicativo em São Paulo?

Sim, o evento aconteceu no dia 14/12/2016 na capital paulista, mas obviamente não foi de uma startup brasileira. Se fosse de alguma empresa nacional, certamente você estaria cansado de ler e compartilhar o fato. A comemoração foi de um ex-unicórnio (não é mais porque agora é de capital aberto) que talvez você nunca tenha ouvido falar mas está presente no Brasil há meses, com alguns bons milhões de usuários locais.

A empresa em questão é a chinesa Meitu, que abriu capital na Bolsa de Hong Kong, levantando US$629 milhões e atingindo valuation de US$4.6 bilhões. Os principais produtos são aplicativos de edição de fotos, maquiagem virtual e, principalmente melhoria de selfies, usados por uma base de mais de 400 milhões de usuários ativos, além de smartphones de marca própria. Segundo a agência de pesquisa iResearch, no país de origem da Meitu, 70% dos usuários de redes sociais postam pelo menos uma foto por semana e mais da metade deles usa algum aplicativo da empresa antes de postar.

Assim como a Meitu, temos entre nós outras startups de presença relevante no Brasil mas que a maioria desconhece ser de origem chinesa. São cerca de dez que tem equipe local, sendo dois unicórnios (eram 3 com a Meitu) e uma de capital aberto. Se considerarmos e-commerce, há pelo menos mais um que já fez IPO.

Entre iniciativas ainda early-stage até unicórnios, os fundadores dessas startups da China trazem no DNA uma característica que determina seu estilo: surgiram no mercado mais competitivo do mundo. Esses empreendedores nasceram no país com a maior população do planeta, o que significa que em cada uma das etapas de suas vidas, precisam ser melhores do que milhões de pessoas para se destacarem.

Estudantes prestando vestibular, o gaokao

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Feira de empregos para universitários e recém-formados

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E num país com um dos mais altos padrões educacionais do mundo

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Qualquer uma das duas primeiras fotos poderia representar o nível de concorrência que uma startup enfrenta naquele pais. Agora, imagine-se nessa situação. Por isso, muitas dessas empresas estão buscando o exterior. Em um mercado onde gigantes como Alibaba dominam mais do que 70% de alguns segmentos, internacionalizar é uma das poucas saídas. E não só para grandes como a Meitu, mas mesmo para as recém-nascidas.

Estive recentemente com uma delas. Ela atingiu em poucos meses mais de 140 mil usuários no Brasil, com pico de 20 mil ativos diários. O detalhe é que essa é a base total, ou seja, atua só no Brasil. Sim, só aqui! E sem que os fundadores ou qualquer funcionário tenha colocado o pé no nosso país antes. Eles sequer falam português. Essa é uma das grandes tendências daquele mercado – as startups que nascem internacionais.

Mas não são só os talentos que são abundantes – capital também. Segundo levantamento do blog de tecnologia Tech In Asia, foram investidos US$60 bilhões em capital de risco (venture capital) na China, bastante próximo dos US$68 bilhões levantados nos EUA.

Se antes as empresas dos nossos país competiram com os produtos fabricados na China, agora, muitas de nossas startups concorrerão com as digitais daquele pais. Precisamos olhar para além dos Estados Unidos. Assim como essa empresa chinesa criada para atuar no Brasil, nascem muitas dessas iniciativas diariamente. Uma delas pode estar sendo fundada para concorrer contigo. Imagine se você fosse um brasileiro que acabou de criar um app de maquiagem virtual.

Da mesma forma, existem muitas oportunidades entre os dois países. Pude ver isso de perto quando fui Head de Ecommerce Latam da Xiaomi e agora empreendendo novamente em iniciativas internacionais. Veja a minha apresentação Invasão das Startups Chinesas, Riscos e Oportunidades. Quem sabe o próximo IPO a ser comemorado não possa ser de uma startup sino-brasileira?

Clique aqui para seguir o perfil da CBIPA no Linkedin, uma iniciativa que criei com a Baidu para fomentar negócios e investimentos entre startups e fundos de China e Brasil ou mande email para in@cbipa.com se quiser saber mais das oportunidades.

Sugiro também os materiais de 2 amigos com quem estive numa recente missão à China Brian Requarth, fundador da VivaReal My takeaways for Brazil tech entrepreneurs after visiting China e, Daniel Cukier, fundador da Playax Ecossistema de startups de tecnologia na China – Lições para o Brasil.

Parabéns Ludmila e equipe Brasil! CC Zhen Zhang

*In Hsieh é cofundador da CBIPA.