O Startupi participou do Encontro Ford: Oportunidades de Negócios em Mobilidade, promovido pela empresa para incentivar a criação de um novo ecossistema de negócios baseado em soluções de mobilidade.

Edson Mackeenzy conduziu o bate-papo onde especialistas em mobilidade da Ford dividiram o palco com representantes de aceleradoras, investidores e startups para falar sobre as oportunidades de empreender na área, com foco em melhorar a vida das pessoas nas cidades brasileiras.

ford

Durante o evento foram destacados alguns resultados da pesquisa global sobre mobilidade realizada pela empresa em 30 cidades de 18 países. Os congestionamentos são um grande problema nos países emergentes. São Paulo e Rio de Janeiro são a segunda e terceira cidades com o maior tempo médio de deslocamento para o trabalho entre as 30 metrópoles estudadas. O tempo médio diário de viagem por pessoa é de 3 a 5 horas.

São Paulo, Curitiba e Buenos Aires têm uma oferta noturna de ônibus para atender a demanda. No Rio de Janeiro, o transporte público à noite é mais difícil. Mesmo nas capitais altamente urbanizadas, a rede de transporte público é formada predominantemente por ônibus, com rede ferroviária ainda em desenvolvimento. O custo continua a ser o principal fator limitador para a posse de um carro, que é um meio de suprir essa necessidade de mobilidade.

Diante deste cenário, novos serviços de mobilidade têm surgido, seja para o transporte pessoal ou de cargas. “As novas tecnologias abrem oportunidades de pensar em soluções diferentes para os problemas atuais. Se eu fosse empreender em mobilidade hoje, manteria em mente que, em 2050, cerca de 70% da população mundial viverá em cidades e que Big Data e a Internet das Coisas vão tornar indispensável o papel da informação na gestão da mobilidade. Gerenciar bem os riscos e aproveitar as oportunidades de negócios são pontos cruciais para determinar os líderes de amanhã neste ecossistema”, destaca Natan Vieira, vice-presidente de Vendas, Marketing e Serviços da Ford América do Sul.

Carros autônomos

Em setembro deste ano, a companhia promoveu o primeiro teste de carros totalmente autônomos para a imprensa, no seu centro de desenvolvimento do produto em Dearborn, nos Estrados Unidos. O evento é mais um passo do plano da empresa de iniciar a produção em escala de veículos autônomos – sem direção e pedais – em 2021 para uso comercial.

Luciano Driemeier, Gerente de Estratégia de Produto da Ford America do Sul, destaca que em 2021 o produto estará pronto, mas para chegar no Brasil terá que passar pela parte de regulação, enfrentar a barreira de adoção devido ao custo, ou seja, ainda existem muitas discussões em aberto.

O executivo contou que o processo de desenvolvimento dessas tecnologias conta com a ajuda de startups. A Ford já fez investimento em algumas empresas que irão suportar esse desenvolvimento, uma delas é de Israel, a SAIPS, focada em Machine Learning e visão computacional.

Ele conta que existem diversas iniciativas da Ford voltadas para as startups, assim como foi mostrado no vídeo, a empresa conta com um escritório no Vale do Silício onde existe um trabalho de mentoria e laboratórios de prototipação. Aqui no Brasil, também estão sendo criadas diversas iniciativas para fomentar o ecossistema como a etapa brasileira do “Desafio da Mobilidade” e o hackathon sobre conectividade automotiva realizado na Campus Party.

Parceria com startup

É através dessas iniciativas da companhia que acabam acontecendo parcerias com startups. Luciano conversou com o Startupi e contou que Durante o Desafio São Paulo de Mobilidade, competição para a criação de novas soluções de transporte multimodal, o vencedor foi o aplicativo Muvall, que integra o sistema público de ônibus ou carona e pode ser acessado pelo comando de voz do sistema SYNC AppLink dos carros da Ford. Seu criador, Gabriel Araújo, chamou a atenção de Marcio Nigro, um dos jurados, dono do site Caronetas, que lhe ofereceu uma sociedade em um novo projeto. Juntos, eles aperfeiçoaram o Caronetas e lançam agora o WiiMove, ampliando as opções de transporte integrado.

E aí que está a novidade, a Ford anunciou durante o evento uma parceria com o aplicativo WiiMove. Com o app, o usuário tem a opção de sair de casa a pé, de bicicleta ou de carro, verificando as alternativas de carona, transporte público ou trajetos multimodais para o aproveitamento eficiente dos recursos disponíveis. Ele também indica a existência de pontos de apoio para bikes e inclui sistema de agendamento de estacionamento.

A Ford irá criar uma comunidade exclusiva dentro do app para que todos os empregados da empresa no Brasil possam acessar, com ferramentas que permitem caronas e integração inteligente do transporte público e privado.

“Essas iniciativas no Brasil fazem parte da transformação da Ford em uma empresa de automóveis e de mobilidade”, diz Natan Vieira. “Queremos compartilhar experiências e estreitar o relacionamento com os especialistas e a comunidade de empreendedores para encorajar a construção do ecossistema necessário para a criação de novas soluções nessa área.”

A Ford está ciente de que o mercado ainda mudará bastante, mas garante que o carro continuará fazendo parte da mobilidade. “Sabemos que a relação das pessoas com os carros irá mudar, não é sustentável a maneira como existe hoje, por isso estamos de olho em soluções que podem influenciar o mercado de mobilidade. Tudo que integre os diferentes modos de transporte chamam a atenção da companhia”, comenta Luciano.

Relação pessoas X carros

O transporte público na cidade é usado pois a pessoa não tem alternativa, o Uber, por exemplo, teve sucesso, pois trouxe para a população o que elas estavam procurando: se movimentar com conforto, agilidade e com um custo acessível. A relação pessoas x carros está mudando muito rápido, antes, o desejo de todo jovem que completava 18 anos era tirar a habilitação, porém nos dias atuais com o advento de soluções como Uber, Easy Taxi e Cabify, as pessoas estão tirando carta de motorista cada vez mais tarde.

Como o Brasil é um país muito adepto a economia compartilhada, Luciano afirma que o carro do futuro será elétrico e compartilhado. “As pessoas não necessariamente terão um carro, mas serão usuárias dele. A Ford irá investir cerca de US$5 milhões nos próximos anos para o desenvolvimento de carros elétricos e carros autônomos e também na coleta de dados dos usuários”, afirma Luciano.

Startups que atuam no setor

Durante o evento conhecemos startups que estão atuando fortemente no mercado de mobilidade. Entre elas, a Wiimove, que acaba de ser comprada pela Ford.

Wiimove -Sistema de caronas que integra o transporte privado ao transporte público. Através do wiimove, o usuário pode ter sugestões de trajetos híbridos, feitos de carona ou/e transporte publico. Além disso, poderá visualizar os pontos de locação de bicicletas (bike sampa), verificando sua disponibilidade on-line.

Let´s Park – Auxilia motoristas a encontrarem os estacionamentos baratos e próximos do local desejado.  

Woole – Aplicativo colaborativo para ciclistas com sistema de navegação customizável e mapeamento de serviços para bike.

Vela Bikes – Marca brasileira independente de bikes elétricas.

Iniciativas para o fomento do ecossistema de mobilidade

O MobiLab (Laboratório de Mobilidade Urbana e Protocolos Abertos) é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Transportes (SMT), da Prefeitura Municipal de São Paulo, que busca o desenvolvimento de soluções para a melhoria da gestão do transporte, do trânsito e da mobilidade urbana na cidade, orientado pelas premissas que caracterizam uma experiência concreta de governo aberto: inovação, transparência e participação da sociedade civil.

Ciro Biderman, coordenador do Mobilab, conta que a iniciativa promove a interação entre técnicos da SMT, CET, SPTrans, empresas e startups, terceiro setor e universidades, integrando e compartilhando conhecimentos e experiências de diferentes organizações, para desenvolvimento de soluções tecnológicas de mobilidade urbana.

Elisa Carlos, gerente de Inovação da ABDI, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, contou sobre o Programa Nacional Conexão Startup-Indústria, que tem como objetivo aproximar as indústrias e startups do País.

“Estou vendo muitas oportunidades, é claro que a indústria precisa se flexibilizar, mas ela está disposta e quer realmente trabalhar com startups, só não sabe direito como. Oportunidades existem, eu estou muito feliz e positiva “.

Ela destaca que é muito importante promover o diálogo entre esses dois mundos, mas assim como a indústria precisa se flexibilizar, os empreendedores precisam estar preparados para o diálogo e começar a enxergar a indústria como um mercado interessante.

Investidores

Para Silvia Valadares, investidora-anjo, o grande desafio hoje é descobrir como potencializar empreendimentos já existentes. “Não estamos educados o suficiente para o tamanho do problema que é preciso resolver para que tenhamos um caso de sucesso global surgindo no Brasil, esse é o nosso desafio e o nosso papel é dar continuidade a essa discussão”.

investidores

Magnus Varassin Arantes, Presidente do HBS angels, destaca que o empreendedor precisa focar em ter um time complementar para fazer um projeto bom que dê dinheiro e resolva realmente um problemada população.

Outro ponto destacado durante o evento foi que os empreendedores precisam se capacitar para conversar sobre dinheiro com os investidores. O dinheiro existe, o que falta para alguns empreendedores é entender o momento em que sua startup está e como o dinheiro será usado. É a maturidade do empreendedor. “Dinheiro no Brasil pode até estar escasso, mas para bons empreendedores ele sempre vai existir”, finaliza Silvia Valadares.

A mensagem final do evento foi: Empreendam! O País está precisando de novas soluções. O evento conseguiu unir empreendedores, investidores, indústria e é apenas o começo de algo muito maior que irá acontecer. A Ford pretende promover muitos outros encontros para discutir e entender as necessidades dos empreendedores e da população para ajudar a melhorar a forma como as pessoas se movimentam. Fique ligado no Startupi e fique por dentro de mais novidades.