*Por Exame.com

Com milhões de usuários, a startup Nubank e o aplicativo GuiaBolso apresentaram ao mercado uma nova realidade de cartões de créditos e finanças pessoais. Nela, as pessoas têm mais controle, fácil acesso e atendimento personalizado.

O Santander acaba de anunciar dois novos cartões, o Play, direcionado a jovens, e o 1/2/3, para pessoas que tenham renda mínima de R$1.500 mensais e façam muitas transações online. O primeiro substitui o FIT destinado a universitários “porque os jovens de dez anos não são os mesmos de hoje”, explicou Rodrigo Cury, superintendente executivo de Cartões do Santander.

Com anuidade de R$19,50, o Play deixa universitários com gastos de R$50 mensais isentos de tarifa e dá a eles a liberdade de gerirem seus limites, conforme a relação com o banco avança.

Já o 1/2/3 tem uma tarifa de R$384 anuais, que cai pela metade se os gastos mensais forem de R$1.000 por mês. Os pontos são escalonados de forma progressiva, conforme os valores das transações, sendo US$1 em compras dentro do país vale 1 ponto de bônus, US$1 em compras online viram 2 pontos e US$1 gastos no exterior viram 3 pontos.

“A ideia das novidades é dar mais opções aos consumidores mais digitais, que buscam escolhas mais convenientes com o modo de vida atual e sejam mais competitivas”, contou Cury.

As mudanças mostram uma quebra de paradigma do banco – e, quem sabe, do próprio mercado: as pessoas não são mais avaliadas por renda, mas sim pela forma como consomem. O controle de limites é outra inovação, pois torna mais transparente a relação do banco com os clientes. Quanto mais esses compram e pagam em dia, maior credibilidade (e crédito) têm. “O cliente consegue a própria gratuidade à medida que ele mantém uma relação melhor com o banco”, disse Cury. As novidades chegam ao mercado no dia 28 de novembro.

Caminho próprio

Além dos cartões, o Santander anunciou um aplicativo que chamou de “uma nova maneira de se relacionar com as pessoas e delas se relacionarem com os cartões do banco”.

O Santander Way já está disponível desde ontem gratuitamente para todos os correntistas e não correntistas do banco que usam cartões Santander e tenham um smartphone. Por meio dele, é possível que os clientes controlem suas contas por tipos de compras feitas, detalhem as transações e confiram os pontos gerados por cada uma. É possível fazer a gestão de vários cartões Santander ao mesmo tempo. Um gráfico mensal mostra o histórico de consumo para facilitar a gestão de orçamento, assim como faz o GuiaBolso.

Decisões como limite de crédito e autorização de uso internacional podem ser resolvidas com um só clique, bem como pedido de segunda fatura, cartão adicional ou aviso de perda e roubo – facilidades feitas até então pelo call center.

“As pessoas hoje querem resolver essas questões da maneira mais simples possível”, comentou Cury. A estimativa é que os atendimentos pelos canais físicos caiam pela metade a curto prazo com ajuda da novidade.

Até março de 2017, outras funcionalidades serão inseridas. Entre elas, a de de carteira digital para pagamentos por aproximação em lojas físicas e sem a necessidade de fornecer dados pessoas no comércio virtual.

Visualmente a plataforma é bem parecida com a do Nubank, ainda que Cury tenha dito que banco não tenha se espelhado na startup para criar sua solução. “Sabemos os clientes queriam uma experiência melhor com cartões há tempos”, disse ele.

A plataforma foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar do Santander de maio a novembro, no 4º andar da sede do banco, na capital paulista. Diferente do clima dos demais andares da torre, ali é comum ver executivos de calça jeans, jogando basquete e discutindo possibilidades de novos produtos e serviços.

“O clima é descontraído como de uma startup e a intenção é realmente essa: pensar como uma, ter mais inovação e agilidade de decisões”, contou o executivo. A rapidez com que o aplicativo foi criado, testado e colocado no ar por essa turma é uma prova de que a estratégia pode dar certo.

Hoje o banco conta com uma carteira de 15 milhões de cartões de crédito – e de 13% de participação do setor no país. A fatia era de 9% dezoito meses atrás.

*Por Tatiana Vaz, da Exame.com.