* Por Dagoberto Hajjar

Você vai se surpreender com o que vai acontecer com o mercado Brasileiro de TI nos próximos anos. A constatação vem de uma pesquisa realizada pela ADVANCE Consulting, que aponta mudanças drásticas no mercado de quem vende produtos e serviços de TI, tendo como peça central destas mudanças o desenvolvimento de software. Para entender estas mudanças temos que analisar 4 vetores.

O vetor número 1 mostra que o modelo de negócios das revendas, integradores e VARs está mudando. A venda de hardware, há anos, está passando por erosão de preços e margens, sendo o segmento mais drasticamente afetado pela crise nos últimos dois anos. A venda de software está passando por um momento de transição do modelo “on premises” para nuvem, alterando o fluxo de caixa e reduzindo margens. A venda de serviços está intrinsicamente atrelada à venda de hardware e software, portanto, sofre com as mudanças dos dois mercados.

Então algumas revendas, integradores e VARs resolveram evoluir seu modelo de negócios a incluir software desenvolvido “dentro de casa”, compondo a carteira de ofertas nuvem e com excelentes margens de lucro. Esta é uma evolução do modelo de negócios que faz muito sentido diante ao crescimento da demanda de soluções nuvem e face a simplificação do desenvolvimento de software – como veremos no vetor 4.

O vetor número 2 mostra que o modelo de negócios das empresas de PROJETOS está mudando. Estas empresas desenvolviam software sob medida e, nos últimos anos, perceberam que para aumentar sua produtividade e margem de lucro precisavam se preocupar com a reusabilidade do código desenvolvido. Várias chegaram a pensar em criar pacotes ou soluções para oferecer ao mercado, o que seria um modelo de negócios das empresas designadas como ISVs (empresas de desenvolvimento de software). O curioso é que, no Brasil e diferente de outros países, a maioria dos ISVs nunca foi “pura”, ou seja, sempre fez também desenvolvimento de software sob medida como forma de aumentar o seu faturamento. Claro que este modelo híbrido dos ISVs não foi eficaz, já que o desenvolvimento de software sob medida apresentava margens menores e ainda desfocava o ISV do seu objetivo maior que seria a venda em alta escala.

A popularização da nuvem mostrou, tanto para os ISVs quanto para as empresas de projetos, a possibilidade de uma venda de soluções ou pacotes em alta escala. Então surge uma grande corrida para disponibilizar e comercializar soluções em nuvem, o que passa a ser extremamente mais fácil em decorrência da simplificação do desenvolvimento de software – como veremos no vetor 4.

O vetor de número 3 mostra que software passa a ser parte do coração, do pulmão e do cérebro das empresas. Nos próximos anos teremos uma necessidade gigantesca de desenvolvimento de software para suportar as empresas e os negócios. Só que o Brasil nos últimos 5 anos, vem acenando com o “apagão dos desenvolvedores de software”, ou seja: o número de profissionais é insuficiente para atender a demanda atual e obviamente, futura. De um lado, criamos metodologias e processos para que o desenvolvedor fosse cada vez mais eficiente. Chegamos a aplicar conceitos de “fábrica” para aumentar a produção, mas de outro lado o desenvolvimento de software ficou cada vez mais complexo. As ferramentas passaram a exigir um grau de conhecimento muito grande e os ambientes estão cada vez mais heterogêneos.

Eu lembro da época do Clipper e do Visual Basic 1.0 quando era muito fácil aprender a linguagem de desenvolvimento e sair fazendo “programinhas” que salvavam a vida dos usuários, automatizando tarefas até mesmo bastante complexas. Naquela época, muitos “homens de negócio” aprenderam estas ferramentas de desenvolvimento e fizeram seus próprios aplicativos.

O vetor de número 4 mostra uma mudança de paradigma no desenvolvimento de software. Surgem várias empresas oferecendo “plataformas de desenvolvimento de software” onde o usuário consegue desenvolver um aplicativo de maneira muito acelerada. Em algumas destas ferramentas, o usuário não precisa saber codificar ou programar. Esta mudança de paradigma permitirá que as revendas, integradores e VARs desenvolvam software de maneira fácil e rápida para oferecer na nuvem. Esta mudança de paradigma permitirá que ISVs e empresas de projetos desenvolvam de maneira muito mais rápida e com profissionais mais baratos. Essa mudança será uma grande alternativa para resolver o problema de apagão da mão de obra para desenvolvimento de software.

Nos últimos 15 anos, a indústria de software desenvolveu sistemas complexos como os de gestão empresarial, os CRMs, os sistemas de inteligência de negócios (BI) entre outros. É claro que esta nova forma de desenvolvimento de aplicativos não serve e nem pretende substituir este tipo de desenvolvimento, mas trará uma agilidade GIGANTESCA para que o mundo dos negócios converta suas inúmeras planilhas em sistemas.

Acho que veremos o nascimento de uma nova era para o desenvolvimento de software, para as revendas, integradores, VARs, ISVs, empresas de projetos e principalmente, para os clientes que se beneficiarão de ter atendidas suas necessidades de maneira rápida.


Foto_Dagoberto_150x150Dagoberto Hajjar trabalhou 10 anos no Citibank em diversas funções de tecnologia e de negócios, 2 anos no Banco ABN-AMRO, e 9 anos na Microsoft exercendo, entre outros, as atividades de Diretor de Internet, Diretor de Marketing e Diretor de Estratégia. Atualmente é sócio fundador da ADVANCE – empresa de planejamento e ações para empresas que querem crescer.