* Por Mariana D’utra

A “economia das APIs” vem ganhando papel de cada vez mais destaque dentro do planejamento estratégico de empresas de diferentes setores. O que antes era assunto apenas da área de CIOs, hoje envolve diferentes áreas dos negócios e tem grande destaque na agenda dos CEOs.

O tema API hoje entra no estratégico, visando o aumento da receita. Tudo isso ocorre devido ao rápido avanço da tecnologia que vem revolucionando as formas de relacionamento entre as pessoas, entre negócios e entre empresas e clientes.

Identificamos hoje a necessidade de as empresas disponibilizarem suas APIs para que outros negócios possam unir seus serviços, visando potencializar processos operacionais e, assim, melhorar a experiência do consumidor final. Ou seja, essas companhias se integram e geram novos produtos ou funcionalidades. É benefício para todos os lados.

Em março deste ano, a CA Technologies descobriu que 79% das empresas no Brasil usam APIs para integrar sistemas back-office, 78% para desenvolver aplicativos web (incluindo a iugu e o Atende Simples) e 76% para criar aplicativos móveis. Os números seguem de perto a tendência mundial.

A consultoria ouviu 1.442 executivos das áreas de negócios e de TI de empresas de 9 setores da economia, em 16 países. Ainda segundo a pesquisa, a adoção das APIs foi responsável por:

  • expansão do alcance digital em 79% das empresas;
  • redução de custos e riscos de TI em 78% das companhias;
  • melhoria da experiência dos usuários em 78% delas;
  • monetização de dados em 74% delas;
  • entrega mais rápida de aplicativo em 71% delas.

O resultado costuma ser singular para empresas e para seus consumidores finais, mostrando a força desse tipo de tecnologia e a necessidade das startups brasileiras integrarem cada vez mais seus produtos e serviços.

A lucratividade das integrações

Existem diferentes formas de lucrar com essa integração por APIs. Há a cobrança direta em que o acesso à API é pago (comum no mercado de plataformas de e-commerce), programas de afiliados e marketplaces (como ocorre na Nova Pontocom, que permite lojas especializadas vender seus produtos em diferentes lojas online), por branding (a ideia é gerar muito conteúdo e ter muita visibilidade, cobrando por publicidade, em seguida) e pela diferenciação (quando plataformas de SaaS se integram para gerar novas funcionalidades e trocar informações para fidelizar seus clientes).

A plataforma de pré-venda Exact Sales, por exemplo, se uniu à plataforma de CRM Pipedrive para facilitar o acesso à informação de cada contato automaticamente.

Dando um exemplo internacional, a Zendesk (plataforma de atendimento) se integrou à Salesforce (plataforma de CRM) para fornecer automaticamente dados sobre os clientes que estão em atendimento por meio das informações vindas do Salesforce. E, assim, negócios complementares se unem para melhorar seus serviços.

Para nós do Atende Simples, a automação sempre foi um ponto importante. E não só aquela oferecida por nossa solução de atendimento telefônico, mas aquela obtida quando nosso serviço “conversa” com outros que tenham o mesmo objetivo, a mesma visão.

Por isso, no último mês, lançamos uma integração com a infraestrutura financeira da iugu que permite aos clientes pedir a emissão da segunda via de um boleto por telefone, sem precisar falar com nenhum atendente. Tudo isso se tornou possível com APIs.

O projeto levou ao todo 4 meses, envolvendo as áreas de produto, desenvolvimento e marketing de ambas as empresas. “A integração com a iugu permite às empresas construir um atendimento automatizado, aparentemente tão complexo, em menos de 3 minutos”, diz André Santos, CEO do Atende Simples. “O resultado tem sido incrível e mostra que o mercado de SaaS brasileiro não deixa a desejar.”


Mariana_dUtra_perfilMariana d’Utra é analista de marketing do Atende Simples, uma solução de atendimento telefônico para pequenas e médias empresas.