* Por Heloisa Motoki

Para quem está começando a empreender e nunca teve contato com esse mundo do empreendedorismo, alguns conceitos são mais difíceis de aplicar no dia a dia, e em muitos casos assustam bastante o empreendedor. Para tornar isso mais fácil, costumo usar de exemplo a forma que as bandas de música se organizam, afinal música está no dia a dia de todo mundo.

1) Escolha Sócios ou Parceiros

Um erro muito comum de quem está começando é qualificar como sócio por confiança. Achar que ser irmão, pai, mãe e amigo se qualifica para ser sócio só porque ele é uma “pessoa de confiança”.

Em uma banda as pessoas precisam ter sintonia, serem qualificadas e saber o seu papel, caso contrário, não funciona. Não dá para colocar meu pai de baterista só pelo fato de ser meu pai. Para entrar na banda, ele precisa no mínimo saber tocar.

O mesmo vale para a empresa, na hora de definir a sociedade, é preciso definir a regra do jogo e ter reuniões estratégicas periódicas para validar se estão funcionando e mudar se for preciso.

Um exemplo de banda que eu gosto muito e divide isso muito bem é a Fernanda Takai e o Pato Fu. Cada um tem seu estilo, é visível saber se a vocalista está representando um ou outro, mesmo sendo a mesma pessoa.

Além disso, no começo da carreira solo o guitarrista da banda, John Ulhôa, participou do show, mas apareceu discreto, de chapéu, sem aparecer. Até fiquei em dúvida se era ele mesmo. Naquele momento, o destaque era a Fernanda Takai.

2) Escolha do nome

Nem preciso dizer que a escolha do nome é importante, o nome é sua marca e é ele que será a referência do cliente com sua empresa. Mas um cuidado que precisa tomar é pensar se o nome remete ao que você faz e o significado do nome em outras línguas, afinal a internet expandiu o acesso no mundo. Mesmo que você não importe ou exporte serviços ou produtos, nem tenha pretensão de fazer, é importante fazer uma busca.

Um cliente contou que em uma outra sociedade que tinha, os sócios não quiseram pensar muito sobre o nome da empresa e resolveram facilitar, abreviando o nome de cada um. No final a empresa ficou com o nome ASS (bunda, em inglês).

Uma banda que acompanho pela internet são as mulheres do “Charlote Matou Um Cara”. Pelo nome já é possível tirar conclusões sobre o estilo da banda. No site elas contam que o nome faz referência à Charlotte Corday, que matou Jean-Paul Marat durante a Revolução Francesa e como se definem como uma banda de Punk Rock feminista antipatriarcado.

3) Proteja seu nome

Não adianta escolher o nome e não pesquisar sobre as referências que possuem na internet e saber se a marca é protegida, o fato de ter o domínio ou a página nas redes sociais não garante a proteção da marca, pode indicar que ninguém está usando mas o que vale é o registro junto ao INPI.

Negligenciar essa consulta pode levar todo o esforço do planejamento de marketing para o lixo, literalmente. Já pensou você abrir uma empresa, comprar domínio, fazer impressos e depois ser notificado a mudar?

Uma das “brigas” famosas pela proteção de marca girou em nome da Legião Urbana. Primeiramente houve uma briga entre a banda, na época com Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá contra uma pessoa que simplesmente registrou a marca no INPI. Depois de ganhar a briga, a segunda disputa foi em torno do espólio de Renato Russo e os demais músicos.

Uma dica para quem resolve registrar a marca em nome de um sócios, por qualquer motivo que seja e até mesmo o registro da marca no CNPJ definir como ficará depois que tudo acabar.

4) Clientes como fãs

Um dos erros bem comuns de que começa é tratar o mercado como algo genérico e não definir como irá atuar. Não dá para abraçar tudo e é preciso conhecer seu comportamento.

Quem começa com um produto, por exemplo, já precisa pensar em como manter o cliente conquistado, que tipo de serviço ou produto possa ser agregar e já criar um canal de comunicação com ele.

Um exemplo que eu gosto de dar é a banda The Kira Justice, uma banda de rock nacional cujo tema principal são animes (coisas que minha filha curte). Eles fazem um trabalho em redes sociais para engajar os fãs, seja no grupo fechado, como nas páginas, aproveitam para divulgar o trabalho, agenda de shows e ter o feedback do que foi lançado e a expectativa de novos lançamentos, até pesquisando com os fãs sobre as músicas.

Sua empresa deve ter uma estratégia similar, ter um relacionamento mais próximo com o cliente, fazer com que ele vire seu fã e fique na expectativa de novos produtos.


heloisa motoki rede mulher empreendedoraHeloisa Motoki  é diretora administrativa e financeira da Rede Mulher Empreendedora, fundadora da Quali Contábil e Consultora Especial no site Fórum Contábeis.  Com formação em MBA em Controladoria, Graduada em Ciências Contábeis e Técnico em Contabilidade, participante do programa de Empreendedorismo pela FGV/Goldman Sachs – 10.000 mulheres. Há 18 anos no mercado contábil, atua diretamente com pequenas e médias empresas em São Paulo.