Atualmente um dos lugares mais famosos quando se fala de empreendedorismo é o Silicon Valley, nos Estados Unidos. Com uma cultura empreendedora bastante ativa há mais de 70 anos, com jovens criativos e investidores anjos experientes, não dá para negar: eles têm algo a nos ensinar.

Em uma conversa com Paul Russo, que esteve no Brasil para participar do Congresso de Investimento Anjo 2016 da Anjos do Brasil, o investidor anjo do grupo Band of Angels, é categórico: “O Silicon Valley é único no mundo”, disse sugerindo uma interação maior entre o ecossistema empreendedor brasileiro e o polo norte americano. “Se você for ao Valley, um dos membros do Band of Angels pode olhar para o seu negócio e em 30 segundos dizer os problemas que você vai encarar”, explicou.

Ressaltando outro ponto da cultura do local, Paul iniciou a conversa: “As pessoas não se aposentam, elas se tornam investidores-anjo e entram em conselhos de startups, essa é a nossa aposentadoria, nós adoramos fazer isso”.

Por conta da sua vasta experiência como conselheiro de diversas startups e por também ser empreendedor, pedimos para que ele desse algumas dicas para os empreendedores brasileiros, sobre os quais ele foi otimista. “Eu acho que o Brasil tem muitos jovens com boas ideias”, mas também demonstrou certa preocupação em relação aos empreendedores quando são muito apaixonados por suas ideias. “Isso não é bom porque você realmente tem que testar a sua ideia rapidamente no começo e falar com potenciais usuários e compradores para ver como eles reagem”, explicou.

Para Paul, que já teve sua empresa, Genesis Microchip, listada na Nasdaq em 1998, apenas a tecnologia somada a uma ideia não é o suficiente se o empreendedor não tiver mercado. “Ninguém investe em tecnologia, pelo menos não os bons investidores”, concluiu. Segundo ele, o mundo já tem tanta tecnologia que não somos capazes de absorver nem 90% dela e acrescentou: “Você só investe em coisas que podem se tornar sistemas rentáveis e criar algum valor”.

Outro ponto importante para os empreendedores brasileiros que Paul Russo reforçou, foi o foco no cliente e no esforço para entender e alcançar quem vai usar o produto ou serviço oferecido pela startup. No momento inicial da empresa, de acordo com o investidor, isso é mais importante do que gastar dinheiro no crescimento ou tentando conseguir reconhecimento. “Se você for falar com 10 empresas e todas elas não tiverem interesse você precisa pensar de novo”, alertou.

Além disso, uma das coisas mais importantes que os investidores anjo do Vale do Silício observam em uma startup é o que Paul Russo chamou de “costumer attraction”, ou seja, o engajamento que atrai usuários e compradores para a empresa. Paul fez a seguinte reflexão:

“Vamos dizer que você é uma startup e tem uma grande empresa que quer trabalhar com você ou tentar alguma das suas ideias. Isso diz tudo. Grandes empresas não gostam de empresas pequenas porque elas são muito arriscadas. Então o fato de eles quererem trabalhar com você responde muitas perguntas: você é único? Sim, de outra forma não iriam trabalhar com você. Tem valor o que você está fazendo? Claro, se não por que estariam perdendo tempo?”.