A ABVCAP – Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital divulgou este mês, durante o Congresso ABVCAP 2016, em conjunto com a KPMG, o retrato do setor de Private Equity e Venture Capital no Brasil. Apesar da atual turbulência nas esferas política e econômica, o estudo aponta que os investimentos realizados em 2015 atingiram R$ 18,5 bilhões, 39% acima do volume obtido em 2014, batendo o recorde histórico desde o primeiro levantamento em 2011.

De acordo com o Fernando Borges, presidente da Associação, o  montante  significativo de investimentos se explica pela apreciação do dólar frente ao real, o que resulta na diminuição dos preços dos ativos e na maior atração do capital estrangeiro. A representatividade dos estrangeiros sobre o capital comprometido no País continuou sendo maior, cerca de 57% ante os 43% do capital nacional.

“Com relação aos próximos três anos a expectativa da ABVCAP é de continuidade no crescimento, especialmente em função da grande reforma do marco regulatório que a CVM está em vias de implementar”, acrescenta Francisco Sanchez, Vice- Presidente da Associação e sócio- fundador da Lions Trust.

Cerca de 88 % dos investidores estrangeiros pretendem aumentar o investimento no País, uma forte demonstração do interesse a longo prazo.

A CVM, com a participação da ABVCAP, irá publicar o novo marco regulatório em meados de agosto, o que deve propiciar mais investimentos dos fundos, além da liberação de investimentos dos fundos brasileiros no exterior. Essa nova regulamentação é importante para fortalecer as empresas brasileiras e suas estratégias de crescimento no exterior. “É essencial começarmos a pensar na ampliação das multinacionais brasileiras”, comenta Luiz Eugênio Figueiredo, Coordenador do Comitê de Regulamentação da ABVCAP.

“A indústria de Private Equity e Venture Capital continua crescendo de forma consistente no Brasil, o que pode ser demonstrado pelo aumento de 20,7% (R$ 153,2 bilhões) do total do capital comprometido em relação a 2014”, diz o presidente da instituição. Um indicador que permaneceu praticamente inalterado, quando comparado com o ano anterior, foi o de capital disponível para investimentos e despesas, um total de R$ 39,3 bilhões.

Além de infraestrutura, setor que tradicionalmente é foco da indústria, os setores que tiveram investimentos expressivos foram: Saúde e Farmácia (38%), Educação (12%), Varejo (11%), representando 61% dos investimentos. A legislação que permitiu participação direta ou indireta do capital estrangeiro nos estabelecimentos de assistência à saúde  do país impulsionou esse  crescimento.

No mesmo sentido de alta, os desinvestimentos realizados no ano alcançaram R$ 5,8 bilhões, 23,4% superiores aos de 2014, menor apenas do que o desinvestimento de 2012 que foi de R$ 6 bilhões, sendo que na época a principal saída era o mercado de capitais. Em 2015 não ocorreu nenhum IPO, o que demostra que os investidores encontraram alternativas mais fortes nos Institucionais.

O panorama do setor de Private Equity e Venture Capital brasileiro, traçado pela ABVCAP e KPMG, demonstra que os três aspectos Capital, Investimento e Desinvestimento continuaram evoluindo positivamente em 2015, de modo geral, quando comparados ao ano anterior.

Em dezembro de 2015, cerca de R$ 40 bilhões dos R$ 150 bilhões de capital comprometido não havia sido investido, o que significa que devem ocorrer investimentos assim que o cenário político se mostrar mais estável.