* Por Anderson Leonardo – iugu

Unicórnios não existem — ainda que cientistas da Coreia do Norte insistam em reafirmar o contrário. No mundo do empreendedorismo, esse ser da mitologia toma a forma de startups privadas de tecnologia que valham US$ 1 bilhão ou mais.

Essa é, sem dúvidas, a classificação mais popular na área. Representa um marco importantíssimo e dificílimo de alcançar. Mas os nomes de outros animais (reais e imaginários) também são usados para denotar marcos e traços diferentes das empresas: dragões, coelhos, dinossauros e até baratas.

A seguir, vamos analisar cada uma dessas nomenclaturas e suas principais características para ajudar você a entender em qual delas sua startup se encaixa.

Unicórnios

Este é um clubinho frequentado por empresas de peso como Uber, Xiaomi, Airbnb, Snapchat, SpaceX, Pinterest, Spotify, Lyft, Magic Leap e outras de muito sucesso. Para participar, como vimos, sua startup precisa ser avaliada em US$ 1 bilhão ou mais por uma firma de capital de risco.

Unicórnios se caracterizam por um crescimento superacelerado, empurrado por dinheiro de capitais de risco. Eles não são necessariamente lucrativos. Buscam ter escala, obter uma grande parcela de mercado, antes de pensar em fazer dinheiro.

Atualmente, o Uber é o unicórnio mais bem avaliado da história. Vale mais de US$ 60 bilhões. Sua incrível evolução está impressa em registros: em maio de 2014, valia US$ 3,8 bilhões; um ano depois, US$ 41,2 bilhões, de acordo com o WSJ.

O site Speed of a Unicorn mostra, em gráficos, quanto tempo levou para cada unicórnio alcançar esse status, em que continente se encontram essas startups e de que indústrias fazem parte.

Críticos acreditam que, atualmente, haja unicórnios demais. A alcunha foi dada às startups porque valer US$ 1 bilhão era raro, tanto quanto encontrar um unicórnio na mitologia. Segundo o Wall Street Journal, 145 companhias do mundo todo estão nesse clube hoje. Por isso, segundo os críticos, essas empresas deveriam ser classificadas como cavalos ou burros, pois são mais comuns.

Dragões

Os unicórnios, no entanto, não encabeçam a hierarquia de nomenclaturas animais. Outro ser mitológico, o dragão, assume esse posto. Há divergências sobre esse status para um startup.

Para alguns, alcançar o nível “dragão” significa retornar US$ 1 bilhão ou mais para os investidores que acreditaram em sua empresa.
Mas, segundo o próprio autor que cunhou o termo, ser um dragão equivale a devolver o valor de um fundo, ou vários fundos, para as firmas que o apoiaram – não necessariamente US$ 1 bilhão.

Em 2015, em seu IPO, a Fitbit, das pulseiras inteligentes, se tornou uma startup dragão da firma americana de capital de risco Foundry Group. A companhia levantou US$ 732 milhões com a oferta de ações, cobrindo o investimento inicial da Foundry Group, de US$ 240 milhões.

Coelhos

O ano dos unicórnios foi em 2015. Muitos acreditam, porém, que a a era dessas startups mitológicas já chegou ao fim. De acordo com analistas, 2016 é o ano dos coelhos.

No mundo do empreendedorismo, coelho em inglês (rabbit) é um acrônimo para Real Actual Business Building Interesting Tech. Traduzindo: Negócio real que cria tecnologia interessante.

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O termo “real” se contrapõe à ideia das startups unicórnio. Estas que ganham a alcunha do animal mitológico são medidas por seu potencial, pelo que podem vir a ser, e não pela receita que realmente geram, como é o caso das startups coelho.

Coelhos são basicamente o oposto dos unicórnios. Crescem num ritmo lento, mas constante; controlam seus gastos e não queimam dinheiro com frivolidades; têm uma base real de clientes; trazem lucros reais à indústria de que pertencem.

Baratas

Essas características são parecidas com as das startups barata, que recebem essa classificação por serem resilientes, capazes de sobreviver às mais fortes adversidades. Enquanto insetos, as baratas têm uma morfologia que lhes permite sobreviver a guerras nucleares em determinados casos.

Por causa dessa resistência, por terem gastos bem controlados e sempre estarem de olho em receita e lucro, essas startups oferecem um risco menor aos investidores — e estão sendo visadas por eles.

Segundo analistas, a economia mundial atual pode forçar startups unicórnio a se tornarem coelhos ou baratas. Em tempos de mercado global de ações em baixa e economia norte-americana desacelerada (a maioria dos unicórnios vem de lá), trocar o potencial, que é abstrato, pela consistência parece uma ótima ideia.


Anderson Leonardo - IuguAnderson Leonardo é jornalista e gestor de conteúdo da iugu. Já colaborou para a Folha de S.Paulo, onde editou a coluna semanal Apperitivo e cobriu o mundo da tecnologia.