O Startupi conversou com Andrew Humphries, cofundador da The Bakery, um novo conceito de aceleradora, localizada em Londres. Ele falou sobre o novo conceito de aceleração, a aproximação das grandes empresas com as startups e ainda, se mostrou otimista em relação ao ecossistema brasileiro.

Foto: Fernanda Santos

Foto: Startupi – Andrew reunido com brasileiros durante a LTW 2015

Ao invés de trabalhar com uma gama diversificada de empresas, a The Bakery é focada em publicidade e marketing, combinando grandes marcas com as novas tecnologias.

Aceleradoras como Wayra, Nike+, Barclays TechStars and JLab, são baseadas em investimentos e costumam atender startups em fase realmente inicial (que pode muito bem ter apenas uma ideia em um pedaço de papel), e ao longo de um período seu trabalho é acelerar as empresas e ajudá-las a obter ainda mais investimentos de empresas de capital de risco ou de investidores anjos. Fundamentalmente o objetivo real para este tipo de acelerador é investimento e eles estão focados principalmente no crescimento do valor das empresas em sua carteira.

De um tempo pra cá, surgiu um novo tipo de acelerador, conhecido como “Challenge led”. As grandes empresas que precisam fazer coisas novas dentro de sua organização estão olhando para o ecossistema de tecnologia para acelerar a inovação. Eles buscam um acelerador que trabalhe especificamente com o seu problema de negócio, assim, os desafios podem ser desde “como podemos comunicar melhor como uma organização?” até “como podemos envolver mais nossos clientes com nossos produto?”. Essas aceleradoras, como a The Bareky, fazem o match entre as grandes empresas com os melhores empresários de tecnologia e, segundo Alex, é um processo muito rápido, eficiente e de baixo risco, em que as grandes empresas se conectam com as melhores startups que resolvem os seus problemas reais.

the bakery

Foto: Divulgação

Confira a entrevista completa abaixo.

Startupi: Quando e por que você decidiu criar a The Bakery?
Andrew: Eu fundei duas grandes empresas de tecnologia no passado. Na primeira delas, conseguimos levantar uma boa rodada de investimento, tínhamos tecnologia de primeira, uma equipe maravilhosa e alguns incríveis investidores. Nós estávamos desenvolvendo uma tecnologia específica para os bancos, mas foi muito difícil conseguir obter uma grande instituição financeira que estivesse disposta a experimentar a nossa tecnologia. Demorou quase dois anos para obtermos o nosso primeiro cliente, mas depois do primeiro, era muito mais fácil conseguir outros. Hoje, 60% dos bancos do mundo usam essa tecnologia. Conseguir o primeiro cliente para testar a nossa tecnologia foi uma das coisas mais difíceis que tivemos de fazer .

Na segunda empresa que eu comecei, eu já tinha aprendido com as lições da primeira e decidi ir e falar com os potenciais clientes em primeiro lugar e questionar “o que você realmente quer que essa nova tecnologia faça?”. Uma vez que eu tinha encontrado as respostas, eu começava a trabalhar com a tecnologia em torno de um problema em particular. Dessa forma, levou apenas nove semanas para obter o nosso primeiro cliente para experimentar o produto, e o nosso segundo cliente acabou de comprar a empresa. Por isso foi realmente uma grande lição, você precisa se certificar de que você está desenvolvendo uma tecnologia que está resolvendo uma necessidade particular.

Foi daí que criamos a The Bakery, para lidar com problemas específicos. A The Bakery descobre todos os desafios que as grandes empresas têm e, em seguida, relaciona esses desafios às tecnologias que estão sendo desenvolvidas pelos empreendedores. Nós então fazemos o match entre os dois, o que beneficia a todos no ecossistema e o mais importante, permite que empresas de tecnologia validem e forneçam seus produtos e serviços para grandes empresas em um curto espaço de tempo.

Startupi: Como as empresas de tecnologia podem se juntar à The Bakery ? Quanto custa isso?
Andrew: É totalmente gratuito para as empresas de tecnologia se juntarem à The Bakery. Só existe troca de dinheiro quando fazemos a introdução da tecnologia em uma marca e um contrato for assinado. Começamos o processo com uma reunião inicial de 20 minutos ou uma chamada Skype. Nós, então, pedimos para que as empresas se inscrevam em nosso marketplace, para que eles possam acompanhar nossos últimos briefs e para que nós possamos contatá-las caso acharmos que a sua tecnologia pode resolver um problema que estamos a trabalhar.

Startupi: As startups precisam já estar trabalhando na solução ou podem começar depois do briefing da marca?
Andrew:
As empresas de tecnologia já devem estar trabalhando em seus negócios. Nós recebemos o briefing das marcas e, em seguida, entramos em contato com as empresas de tecnologia que nós achamos que possam resolver o problema com a sua tecnologia e perguntamos se eles gostariam de lançar a sua solução para tal marca.

Startupi: As startups sabem o que as marcas realmente precisam?
Andrew: O que procuramos nas novas tecnologias são produtos que são capazes de escalar e ser utilizados em várias indústrias com diferentes clientes. Assim que passamos o briefing para as startups, elas podem explorar como a tecnologia poderia ser usada para resolver o problema em particular. As vezes a solução da startup pode servir para um mercado que eles ainda não entraram.

Startupi:Por que as grandes empresas estão buscando inovação fora de suas companhias?
Andrew: As marcas estão começando a perceber que é muito mais rápido, tem menos risco e um custo menor trabalhar com a tecnologia existente no ecossistema global ao invés de tentar criá-la internamente. Hoje os empreendedores já estão trabalhando para resolver os problemas das grandes marcas, por isso, se aproximar deles significa que seus problemas serão resolvidos muito mais rápido. Ao mesmo tempo, trabalhando com empresas menores e ágeis, ajuda as grandes empresas a mudarem sua cultura e se tornar mais empreendedora.

Startupi: Conte um case de sucesso da The Bakery.
Andrew: Um de nossos cases favorito é da BMW. Seu problema foi que as pessoas estavam com medo de carros elétricos e tinham muitas dúvidas, e por isso, não iam para as concessionárias, as dúvidas iam desde “eu preciso carregá-lo?” até “até onde pode ir sem carga?”. Assim, encontramos um assistente virtual, Siri, um tipo de computador tão bom quanto um humano. Assim, cada vez que você visse um anúncio, você podia enviar qualquer pergunta para a BMW “i-Genius”. Com essa ação, uma tonelada de pessoas foram para as concessionárias testar o carro elétrico BMW i3, que de outra forma não teriam ido .

Startupi: Você acredita que as empresas que não inovarem estão fadadas ao fracasso ?
Andrew: Grandes empresas têm tamanho, alcance de mercado, clientes e marcas de alto valor, mas com a disponibilidade de tecnologia de baixo custo, temos visto em todos os setores, que as pequenas empresas com pensamentos ágeis e pessoas inteligentes para inovar são capazes de criar novas formas de trabalho que mudam a maneira como as pessoas interagem com o mundo. Empresas que ignorarem esse fenômeno irão perder oportunidades enormes e na pior das hipóteses, colocar em risco de ter grandes partes de seus negócios interrompidos.

Startupi: A The Bakery tem clientes como a BMW e Unilever. Vocês trabalham apenas com grandes marcas ou pequenas também?
Andrew: Se as empresas tem um apetite para a inovação, vamos felizes trabalhar com elas, não importa quão grande ou pequeno. Temos trabalhado com instituições de caridade, governos, departamentos de saúde, empresas multinacionais e até mesmo um pequeno produtor de café.

Startupi: O que você espera do mercado nos próximos cinco anos?
Andrew: As coisas nunca serão lentas novamente! A velocidade da inovação está a aumentar, como Marc Andreessen, da casa de investimento Andreessen Horowitz diz, “o software está comendo o mundo … “. Dentro das grandes empresas os executivos precisam entender como isso vai impactar o seu negócio e começar o mais rápido possível a encontrar maneiras de engajar com o ecossistema inovador.

Startupi: Como você enxerga o mercado brasileiro? Que conselho você daria para as empresas de tecnologia e marcas que querem inovar?
Andrew: O Brasil é tremendamente excitante, em rápido desenvolvimento, desafiador e enorme! Os jovens empresários no Brasil são confrontados com grandes desafios, simplesmente a criação e gestão de uma empresa no Brasil apresenta muitas questões que os empresários europeus não têm que enfrentar, o que significa que, se você pode iniciar e gerir um negócio no Brasil , você pode facilmente fazê-lo em qualquer lugar! Obviamente, a economia está difícil agora, mas o Brasil tem alguns dos mais educados, inteligentes e inovadores empreendedores que eu já vi em qualquer lugar do mundo. Já existem grandes iniciativas de apoio a eles, por exemplo: Startup Brasil, Inovativa, Endeavor, e o mais importante, nós estamos começando a ver empresas como o Itaú se envolver no ecossistema com o recente lançamento de Cubo em São Paulo. Para a cena de tecnologia em Londres, os Jogos Olímpicos de 2012 foram o ponto de inflexão, eu estou esperançoso de que da mesma forma, os Jogos no Brasil do próximo ano serão muito importantes para os empresários do Rio de Janeiro, pois os olhos do mundo se concentrará na cidade.
Estou realmente animado com as oportunidades para grandes empresas nos próximos anos, tanto no Brasil como ao redor do mundo. Eles podem beneficiar e apoiar a geração atual e a próxima de empresários brasileiros.

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