* Por José Ricardo de Bastos Martins

Sim, há uma relação direta entre esses dois termos. Não é possível inovar sem correr risco. Sem correr risco de ser massacrado pela mesmice, ou simplesmente o risco de errar.

Em entrevista publicada essa semana na Revista Veja¹, o economista americano Edmund Phelps, prêmio Nobel em 2006, diz que a principal ameaça ao desenvolvimento (pode ser de um país ou de uma empresa) reside no corporativismo, que ele define como o esforço de um grupo para defender seus interesses acima de tudo:

No lugar da competição, o corporativismo prefere a coordenação e o controle da atividade econômica. Isso cria vínculos fortes entre o Estado e o setor empresarial, de forma que boa parte da atividade econômica depende de negociações com o governo e não da lógica do mercado.”

Ou seja, o risco de ser massacrado é enorme, e continuará crescendo a não ser que seja instaurada uma completa revolução calcada na meritocracia, afastando-se de vez do comando a turma do centro, que nunca se posiciona, que pouco agrega, que cria dificuldade pra vender facilidade…

Como se não bastasse tamanho desestímulo, a inovação ainda padece em outras tantas situações pelo simples medo que todos temos de fracassar; algo instintivo, decorrente da nossa autoestima, do nosso sentimento de autopreservação.

É preciso que pessoas, empresas e países desenvolvam culturas em que o medo de falhar seja superado pela vontade de tentar e recomeçar se for preciso. A cultura brasileira contribui muito pouco para esclarecer a importância de valorizar o erro como forma de aprendizado.

O erro sincero, ocorrido dentro de um processo legítimo de busca por algo digno, deve ser enaltecido ao ponto de trazer, para quem o cometeu, motivação suficiente para seguir adiante apesar do fracasso transitório.

Num país em que se comemora tão pouco qualquer posição que não seja o topo do pódio, é bem provável que muitos erros saudáveis tenham acabado por interromper projetos com grande potencial inovador.

Ninguém inova sem errar, assim como ninguém empreende sem correr riscos. Desta forma, precisamos lutar por um ambiente em que as pessoas queiram buscar o novo e correr os riscos inerentes a essa escolha.

Com isso, estaremos contribuindo para a construção de um dos mais importantes pilares do que Phelps chama de “boa economia”: aquela que não apenas gera prosperidade financeira, mas também cria perspectivas de realização pessoal para os indivíduos.

No fim do dia, fica difícil discordar de Phelps, quando este conclui que as culturas e economias menos protecionistas, que estimulam a criatividade de seus povos e indústrias, são aquelas onde não só encontramos melhor desempenho, mas também – e principalmente – pessoas mais felizes.

¹Veja – 21/10/2015  – Páginas Amarelas – Reportagem de Carlos Graieb – pgs. 17/21

Foto JRB

 

José Ricardo de Bastos Martins é advogado, sócio coordenador da área de M&A do Peixoto & Cury Advogados e presidente do Comitê de Empreendedorismo da ABRADi.