* Por José Ricardo de Bastos Martins

O crowdfunding chegou. E parece que veio para ficar.

O avanço tecnológico das últimas décadas tornou possível conectar pessoas ao redor do mundo em torno de uma causa comum, sem a necessidade de incorrer em custos significativos.

Até o advento da democratização da internet, o processo de conectar pessoas era, na maior parte das vezes, complexo e custoso.

O melhor exemplo disso é o custo envolvido num processo tradicional de captação de recursos através de uma bolsa de valores, sendo essa a razão pela qual somente empresas grandes e maduras conseguem acesso ao mercado de capitais.

Porém, todo esse cenário tende a se alterar rapidamente com as ferramentas de crowdfunding que estão surgindo por toda a parte.

Exemplo excelente disso é o SSX, uma bolsa de valores virtual, voltada para o universo das startups, através do qual uma empresa pode viabilizar a captação de recursos para sua operação a custos baixíssimos quando comparados aos de uma oferta pública tradicional, graças a um processo de análise bastante simples e desburocratizado.

O investidor faz todo processo de cadastramento on line e, após um rápido processo de análise, tem a resposta sobre se poderá ou não ter sua proposta de investimento disponibilizada através da SSX.

Atualmente, a SSX conta com investidores em 199 países e já analisou propostas de investimentos provenientes de mais de 100, constituindo-se numa autêntica bolsa de valores global.

Considerando que as startups são, por princípio, o grupo no qual mais frequentemente nos deparamos com o paradoxo da necessidade de capital x ausência de um histórico sólido de performance, tornando extremamente difícil a tarefa de levantar recursos para o desenvolvimento do negócio, não é exagero dizer que estamos diante de um mecanismo que poderá efetivamente revolucionar o futuro da economia mundial.

Para isso se concretizar, entretanto, é fundamental que certos princípios, já consagrados nos processos convencionais de acesso ao mercado de capitais, sejam replicados – mas sem burocracia – nesse novo contexto.

Dentre tais princípios, o mais relevante é certamente aquele que pugna pela total liberdade do investidor com relação a onde e quanto investir, tendo como contraponto a essa liberdade a obrigação das empresas de prestar informações completas, atualizadas e fidedignas sobre a sua situação, com ênfase na divulgação dos riscos envolvidos na oportunidade de investimento.

O que se afigura absolutamente fascinante e inédito na história é o fato desta oportunidade estar realmente sendo disponibilizada a empresas de um porte infinitamente menor do que aquelas que até hoje foram capazes de se valer dos mecanismos de captação em bolsa, somando-se a isso o fato de que as oportunidades agora estão disponíveis para investidores em qualquer parte do mundo!

Essa capilaridade torna possível viabilizar uma oportunidade de investimento a tickets individuais muito mais baixos do que aqueles normalmente verificados em processos de captação em bolsa e, ainda assim, arrecadar recursos suficientes para o desenvolvimento do negócio.

É o crowdfunding na sua essência.

Resta agora torcer para que essa ferramenta, que poderá revolucionar os processos de captação de recursos para startups através de uma pulverização de riscos inimaginável algum tempo atrás, se solidifique como uma alternativa viável, o que só ocorrerá se as autoridades reguladoras que certamente se envolverão nesse processo tiverem a sensibilidade necessária para compreender as peculiaridades dessa nova realidade que se apresenta diante de nós. A simples tentativa de replicar as formas de controle tradicionais certamente não levará a um bom resultado.

Quem viver verá!


Foto JRB

 

José Ricardo de Bastos Martins é advogado, sócio coordenador da área de M&A do Peixoto & Cury Advogados e presidente do Comitê de Empreendedorismo da ABRADi.