* Por Andre Ghignatti

O primeiro ponto a ficar claro aqui é que ser aprovado no processo de seleção de uma aceleradora não deve ser um objetivo e sim uma consequência de um trabalho bem feito na direção natural da startup. Dito isto, o próximo passo é colocar o boné da aceleradora e entender como pensam. Em linhas gerais, as aceleradoras buscam startups que tenham uma equipe diferenciada que esteja trabalhando numa solução escalável para um problema real, num mercado grande suficiente para permitir o crescimento agressivo por muitos anos.

Não quer dizer que as aceleradoras não apresentem diversas nuanças em suas teses: umas preferem B2C outras B2B, umas preferem early stage, outras startups mais maduras, umas preferem trabalhar com produto físico, outras a intangibilidade do software, etc. Mas, reforço, o foco do empreendedor deve ser no seu negócio. Assim, vamos analisar a tese geral e entender como manter este foco e, ao mesmo tempo, aumentar as chances com as aceleradoras.

O primeiro ponto é a equipe diferenciada. Aqui é uma combinação de competências técnicas e comportamentais. Muito raramente uma aceleradora seleciona uma startup com apenas um sócio, pois é muito raro uma única pessoa reunir esta combinação de competências. Outro erro comum são sócios com perfis muito parecidos, geralmente técnicos. Alternativas aqui são buscar um sócio com perfil complementar ou, reconhecido tacitamente o problema, selecionar e preparar o sócio com mais potencial para atuar noutra área, como comercial, por exemplo. Este deve se dedicar e ser cobrado integralmente pela nova função, caso contrário rapidamente cai na zona de conforto, voltando para atividades técnicas, como solução de bugs, codificação, etc. Se não se adaptar, uma solução externa deve ser buscada.

O próximo ponto é a questão de resolver um problema real. Parece óbvio, mas é inacreditável o número de candidatos que não fazem nenhuma validação para saber se o problema que buscam resolver de fato existe. Contam apenas com a fé, geralmente cega, de que estão certos. Sair da tela do computador e falar com potencias usuários que possam dar opiniões isentas, conhecer os concorrentes, usar o conceito de “concierge” para validar são atividades que demandam algum esforço, mas muito pouco recurso financeiro e fazem muita diferença. Ter o problema claro e validado vem antes da solução.

Por fim chegamos à questão do tamanho de mercado. É uma preocupação natural das aceleradoras, pois elas têm que conseguir dar liquidez para suas participações, o que pode vir a ocorrer apenas após algumas rodadas de investimento de fundos de VC. Assim o mercado deve ter potencial para se manter atrativo para esta cadeia de fundos.   Conhecer profundamente o mercado onde está inserido, particularmente no modelo B2B é fundamental. Estudar principais atores e como interagem, a dinâmica dos negócios, o impacto dos cenários econômicos, etc. Dominar estes aspectos ajuda muito na definição das premissas de tamanho de mercado.  Poucas coisas desanimam mais uma banca de seleção do que o empreendedor que não conhece bem o mercado onde quer atuar.

Para concluir, coloco o único parágrafo que vale apenas para o processo seletivo de uma aceleradora. O tempo do empreendedor é, por natureza, escasso e um processo de seleção consome algum tempo. Assim, é melhor avaliar as aceleradoras existentes (metodologia de aceleração, equipe e mentores, portfólio de aceleradas etc.) e selecionar aquelas que têm mais afinidade com o seu negócio.  Com este filtro, sua startup vai poder se dedicar mais para os poucos processos escolhidos sem o risco de perder o foco do principal, que é o seu negócio.

Boa sorte!


andre-ghignattiAndre Ghignatti é engenheiro eletricista e foi cofundador de duas empresas: A Plugin/Vanet, uma das pioneiras em serviços de internet no RS e a Mercador SA, empresa líder na integração e gestão da cadeia de suprimentos do verejo. Atuou como CEO da Neogrid e atualmente é investidor na MDM Solutions e na Wow Aceleradora de Startups, onde também é diretor executivo.