* Por André Bianchi

Para começar, praticar networking não é simplesmente realizar troca de cartões de visita. É muito mais. É estabelecer novas conexões, criar novos canais para sua empresa, estar atento a novas oportunidades e tudo isso por meio de relacionamento.

Confesso que levei um tempo para entender  e ainda estou aprendendo, mas tudo começou a mudar quando meu sócio e eu recebemos um e-mail marketing de uma empresa oferecendo um curso para estratégias e liderança que seria realizado na Ilha de Comandatuba, na Bahia, no início de 2010. Seriam três dias, com curso das 08h30 às 13h. A tarde era livre para atividades.

Já no primeiro dia, durante o coffee break, conhecemos uma das maiores advogadas do Brasil na área tributária, lembro-me de que tínhamos acabado de comprar uma empresa que conhecemos meses antes na feira do Empreendedor do Sebrae, em 2009, na área de geração de nota fiscal eletrônica. Imagine estar em um local onde uma das pessoas mais importantes da área estava fazendo o mesmo curso que você. Conversamos rapidamente e ela nos disse para ir à tarde até a área de piscina, onde poderíamos conversar a respeito.

Assim que terminou o curso, almoçamos e fomos logo em seguida para a piscina, lá encontramos a Dra. e na sequência mais alguns conhecidos dela, empresários também de São Paulo que já tinham participado destes cursos anteriormente  juntaram-se a nós. Por três dias tive a oportunidade de aprender muito, trocar experiências e ouvir muito, na verdade acho que só ouvi. Ali se falava de negócios, conexões, cifras que até então na minha realidade eram inatingíveis.

Em uma daquelas tardes eles resolveram alugar uma lancha para um passeio, recordo-me que naquele momento estava com dinheiro contado, mas não hesitei em participar e realmente comecei a ver como grandes negócios eram negociados e fechados… o curso que participei foi muito bom, porém a experiência em negócios naqueles três dias foram fundamentais para gerar reflexões para onde eu gostaria de direcionar meus negócios, minha vida.

Após retornarmos para São Paulo os contatos continuaram, fechamos negócios com alguns, outros indicaram clientes e comecei a entender o que era Networking.

Deste momento em diante, comecei a participar de diversos cursos e treinamentos como aquele, filiei-me a associações, uma delas a ABRADi-ISP (Associação Brasileira de Agentes Digitais do Interior de SP), cuja gestão atual sou o presidente e também comecei a sondar um pouco de atividades nos EUA.

Deste momento em diante, tudo começou a ir muito rápido, em 2010 fui convidado pela AMCHAM (Câmara Americana de Comércio) para participar de uma Missão Internacional em Virginia, Maryland, Washington e Nova York, foi muito bom poder  conhecer o modelo americano de negócios, a agilidade e agressividade com que eles fazem as empresas decolarem. Retornei ao Brasil com muitos cartões de visita de empresas americanas e até cheguei a fazer algumas parcerias para desenvolvimento.

Com tantos cartões de visita guardados, percebi que já não me lembrava de alguns, então comecei a catalogá-los. Um  conhecido me ensinou que ele costumava anotar no verso do cartão a situação que conheceu tal pessoa, ou até mesmo alguma informação particular que acaso fosse conversado durante o bate-papo. Lembro-me que ele  contou que conheceu uma vez um executivo de alto escalão de uma empresa, conversaram por alguns minutos e que o mesmo falou a respeito da infância dele em uma determinada cidade do interior de São Paulo, ele anotou isso no cartão de visita.

Meses depois, precisava contactar esta pessoa e iniciou o e-mail abordando informações a respeito de ele estar vindo ao interior recentemente, citando sua respectiva cidade, minutos depois recebeu uma resposta ao seu contato com a indicação que necessitava.

Meses após a Trade Mission da Amcham, acabei conhecendo alguns empresários em Miami e para lá fui por quatro vezes seguidas, curioso que eu não fechei negócio algum, porém um dos empresários que conheci foi meu primeiro mentor, até então desconhecia o termo. Em uma destas visitas àquela cidade, encontrei-me com ele todos os dias em que estive por lá, considero um MBA intensivo, ele abordava temas sobre como gerar receita recorrente, escalar produtos e serviços, internacionalizar empresa, formação de joint venture, terceirizar o desenvolvimento para outros países e reconfigurar meu mindset… E tudo começava a fazer um pouco de sentido em meus negócios, tanto que de 2009 até 2013 conseguimos reposicionar a empresa e acelerar, saímos de sete colaboradores internos para quase 40.

Em outubro de 2013, fui desafiado a  realizar Missões Internacionais de Negócios  ao Vale do Silício nos EUA, com objetivo de levar empresários e empreendedores brasileiros para visitarem aceleradoras de startups; Universidades como a Stanford; empresas como Google, Facebook, Evernote; workshops com fundos de investimento e praticar muito Networking.

Mas como acessar todas estas empresas na Califórnia? Criei um mapa de contatos e conexões e fui acessando, de 2013 até este momento foram cinco atividades realizadas no Vale, o que acabou me direcionando para a criação de uma nova empresa. E mais uma vez por meio de relacionamento, um amigo me indicou contato com uma das maiores operadoras de turismo do Brasil, onde um dos pilares é a parte Corporativa, neste caso o objetivo será operacionalizar atividades locais junto às conexões.

Acima contei somente uma parte de como o networking tem me ajudado e muito no desenvolvimento de meus negócios.

É importante que para você conectar pontos e pessoas, você tem que estar sempre criando, desenvolvendo seu relacionamento. Não tem como você conectar os pontos sem tê-los criado em algum momento da sua vida.

Portanto, não deixe para amanhã. Comece a mapear quais tipos de eventos e atividades você pode e deve participar. Lembre que quantidade não é qualidade. Não tenha receio de falar com as pessoas e apresentar-se, porém não deixe de se preparar  com uma boa apresentação, afinal, muitas vezes em 30 segundos, pode fazer a diferença para que você consiga ou não dar sequencia com um contato importante.


 

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André Bianchi é presidente ABRADi-ISP (2013-2015), presidente Comitê Regionais ABRADi Nacional, CEO e diretor de Missões Internacionais ao Vale do Silício BWi Participações ( 5 Edições), sócio e conselheiro Grupo GV8, sócio investidor: IEV Digital, Terere House, Fraternal Shop e PPt Slides, Membro Banca de Investidores Anjo  Acelera Startup – FIESP  ( 4ª e 5ª Edição).