A ABRAII, Associação Brasileira de Empresas Aceleradoras de Inovação e Investimento, divulgou recentemente uma pesquisa para mostrar o impacto das aceleradoras no ecossistema empreendedor brasileiro.

O levantamento foi realizado com 15 aceleradoras associadas a ABRAII, além de dados do programa Start-Up Brasil, considerando o período entre 2012 e 2014. O objetivo era comparar e identificar a performance das startups antes e depois do início de cada programa de aceleração. Veja alguns números apresentados:

  • 266 empresas passaram pelos programas de aceleração durante este período;
  • R$11 milhões foram investidos diretamente pelas aceleradoras e R$77 milhões vindos de capital levantado com fundos e investidores anjos.
  • 592 empreendedores participaram dos programas, sendo que em média, as empresas aceleradas tinham dois fundadores cada. Para as aceleradoras, este é o critério mais importante na hora da seleção de uma startup.
  • 923 postos de trabalhos foram gerados e devido a pouco idade das empresas, acredita-se que o número de empregos gerados irá crescer exponencialmente nos próximos anos.
  • 75% das startups aceleradas possuem produtos lançados no mercado e faturamento.
  • Juntas faturaram R$36 milhões em 2014

“O impacto das aceleradoras brasileiras no ecossistema já é uma realidade comprovada por números relevantes e diversos casos de sucesso” afirma Pedro Waengertner, Presidente da ABRAII.

Em conversa com o Startupi, Pedro comentou que todo esse movimento está apenas começando. O impacto das aceleradoras começou há quatro anos, mas nota-se que nos últimos dois anos existe uma curva bem acentuada de crescimento.

Segundo Pedro ainda existe uma falsa percepção dos empreendedores sobre as aceleradoras. Ele garante que o investimento financeiro não é o mais importante e sim o investimento indireto que é feito nas empresas com metodologia de aceleração, mentoria e networking. Isso irá capacitar o empreendedor a levar o seu negócio ao próximo estágio e qualificar a empresa para receber aportes tanto de investidores anjos quanto de fundos de capital de risco. “Os investidores dão mais atenção para empresas que já foram aceleradas” complementa Pedro.

Foto: Material divulgado pela ABRAII

Foto:Material divulgado pela ABRAII

Dados levantados pela equipe do Start-Up Brasil mostram também o impacto pré e pós aceleração. Veja abaixo:

Validação do Produto

A validação do produtos e modelo de negócio é um dos pontos mais trabalhados dentro das aceleradoras. Os dados mostram uma redução considerável de tempo para a validação de um produto quando a startup está trabalhando com uma aceleradora.

Foto: Material divulgado pela ABRAII

Foto: Material divulgado pela ABRAII

Faturamento

A necessidade de criar modelos de negócio que consigam obter receita relevante é outro ponto cobrado e acompanhado pelas aceleradoras. Através do estabelecimento de metas, networking altamente qualificado e mentorias com empreendedores que já passaram por estes estágios é possível aumentar consideravelmente a efetividade na monetização dos negócios.

Foto: Material divulgado pela ABRAII

Foto: Material divulgado pela ABRAII

Outro dado bastante interessante da pesquisa é que o faturamento total das empresas aceleradas mais do que dobrou de um ano para o outro, reforçando a ênfase dada pelas aceleradoras em modelos de negócio sustentáveis.

Foto: Material divulgado pela ABRAII

Foto: Material divulgado pela ABRAII

Taxa de Write off = 15%

Write-off é a situação em que uma empresa investida não progride a ponto do contrato entre a empresa e a aceleradora ser rescindido. Em estudo recente da FDC, foi apontado que 25% das startups fecham em menos de um ano, enquanto que 50% das empresas morrem em até quatro anos. As taxas de sobrevivência das empresas aceleradas estão consideravelmente maiores do que as do estudo apresentado.

A história das aceleradoras no Brasil ainda é muito recente e por isso a ABRAII decidiu levantar esses dados para informar e embasar o mercado brasileiro sobre esse movimento. Mais do que um modismo ou simplesmente uma tendência, a ABRAII acredita que bons modelos se comprovam com dados e fatos.

Para Pedro ainda temos muito chão pela frente, mas estamos no caminho certo para fortalecer o ecossistema. Iniciativas como a Anjos do Brasil, Universidades com programas para empreendedores e Instituições como ABRAII e Start-Up Brasil contribuem muito para a formação do nosso ecossistema. Vale ressaltar um ponto destacado por Pedro; nós só vamos ter resultado nesse mercado se nos unirmos. “As aceleradoras, por exemplo, precisam entender que não são concorrentes, elas precisam conversar e trabalhar juntas. A criação da ABRAII é o resultado disso” finaliza Pedro.

Quer ver a pesquisa completa, clique aqui