* Por Juliana Saldanha

Nesse cenário empreendedor, para quem ainda não está familiarizado, existe outra ponta trabalhando para mitigar os riscos e potencializar o crescimento das startups – as verdadeiras estrelas do cenário de inovação – auxiliando-as a obter novas rodadas de investimento ou a atingir seu ponto de equilíbrio. Estas são as chamadas aceleradoras.

Além dos serviços de apoio e benefícios oferecidos (metodologia de aceleração e acompanhamento, acesso ao mercado e rede de contatos, mentorias, infraestrutura, entre outros), a aceleradora investe também um valor financeiro e, em contrapartida, torna-se sócia da startup até o desinvestimento, quando sua participação é vendida para outros investidores ou empresas.

O objetivo do presente artigo não é ”vender” o processo de aceleração e nem citar os desafios que o empreendedor e sua equipe enfrenta, desde a validação da sua ideia até a tração e operação de sua startup. Os riscos e incertezas são diversos (cliente, mercado, produto…) e vocês startups podem encontrar diferentes trabalhos a respeito destes temas.

Queremos mostrar o outro lado da história. A história de quem investe e vive do sucesso do portfólio de suas startups. Além de todos os desafios do processo de aceleração, nós aceleradoras enfrentamos o primeiro obstáculo já no processo de seleção, que exige da equipe um grande esforço. Esse obstáculo surge principalmente devido à falta de alinhamento entre a forma como o mercado nos enxerga e como atuamos devido, especialmente, a falhas de comunicação e à falta de informação.

A partir do momento em que abrimos um edital de seleção, o primeiro ponto que o empreendedor busca é o valor do investimento e se este o atende. Muitas vezes, independentemente de entender ou não as implicações de associar-se a uma aceleradora, muitas startups fazem a inscrição para o processo.  O grande fluxo de startups e “não-startups” que chega nesse primeiro filtro, já representa um gargalo no processo.

A partir daí até o último passo do processo de seleção, existe uma mobilização da aceleradora em dar um retorno para os candidatos explicando a razão pela qual eles não foram selecionados (boa parte por não estarem no estágio ideal ou por não atenderem o modelo do que é uma startup) e, assim, educa-los e indicá-los para outras iniciativas.

Outro desafio em nossa seleção envolve a validação, quando verifcamos se a startup tem o que consideramos essencial para uma startup ter sucesso. E esse ponto se torna ainda mais desafiador pelo curto tempo de contato com a startup durante o processo de seleção e/ou muitas vezes pelo fato de o empreendedor não conseguir passar o potencial que ele tem durante as entrevistas/sessões de pitch.

Podemos dizer que o perfil da equipe, principalmente do empreendedor, é um dos fatores de maior peso durante a seleção das startups e, por tratar-se de um fator subjetivo, seria necessário um maior tempo para decifrar o potencial e a capacidade de execução da equipe. Como consequência, a avaliação desse quesito se torna um pouco superficial no momento da seleção e é refinada ao longo do programa de aceleração.

Por fim, após passar por todo o processo ainda temos alguns desalinhamentos quanto à negociação para a entrada na aceleradora. O entendimento dos termos de negociação é um dos pontos de maior conflito entre startup e aceleradora. Pesquisar, conhecer e conversar previamente com o time das aceleradoras antes de participar de um processo seletivo é fundamental para a tomada de decisão da startup, se este é o momento ou não da entrada na aceleradora ou se é válido ou não para aquela empresa inscrever-se.

Tempo é um bem precioso que nem a startup e nem a aceleradora tem sobrando. Ao invés de entrar em todo e qualquer processo, vale a pena pesquisar melhor os benefícios e pré-requisitos de cada um. Por outro lado, cabe a nós, aceleradoras, esclarecer o nosso papel e deixar as informações de fácil acesso aos empreendedores. O que por sinal a ABRAII está fazendo nesse momento. Aguardem!


juliana saldanha Abraii

Juliana Saldanha é Sócia e atualmente responsável pela comunicação e marketing do Techmall, aceleradora de Startups de Belo Horizonte, associada da ABRAII e do Startup Brasil. É também Diretora de Marketing da ABRAII, Associação Brasileira de Empresas Aceleradoras de Inovação e Investimento.