*Por Sandro Cortezia

Inovar é difícil e arriscado! Especialmente para médias e grandes empresas estáveis e bem posicionadas no mercado. Se por um lado, inovações bem-sucedidas trazem resultados positivos para a imagem e nos lucros de qualquer organização, por outro, os altos investimentos em P&D interno e tentativas frustradas de inovar comprometem a autoestima e até mesmo a saúde financeira de muitas corporações.

Frente a este dilema, há pouco mais de uma década, o pesquisador americano Henry Chesbrough, lançou o conceito do Open Innovation, sugerindo que as grandes corporações deveriam tratar a inovação de uma forma mais aberta e colaborativa. No início algumas grandes empresas passaram a lançar desafios e concursos de ideias, como se isso fosse suficiente.  Recentemente percebe-se que a inovação aberta é muito mais do que isso; pressupõe novos princípios.

Em vez de contratar os melhores e mais brilhantes profissionais e investir em grandes projetos internos de P&D, as empresas passam a perceber que há pessoas e projetos brilhantes também fora da empresa. Também percebem que para inovar não necessariamente precisam descobrir por conta própria novas tecnologias e modelos de negócio. O investimento em projetos identificados no mercado e alavancados pelo uso eficaz das competências, estruturas e processos corporativos, pode gerar resultados extraordinários com menores custos e riscos diluídos.

É neste cenário que as Startups vêm ganhando cada vez mais atenção do mercado corporativo. Por conceito, as boas Startups são pura inovação; ágeis, flexíveis, audaciosas e principalmente experimentam e testam hipóteses, validando as inovações com o mercado. Naturalmente, muitas Startups conseguem se destacar e crescer de forma independente, com rounds sucessivos de investimento, até se tornarem também grandes corporações.

Porém, muitas Startups de elevado potencial não tem a mesma sorte ou competência e acabam ficando pelo meio do caminho. A conexão destas Startups com médias e grandes corporações pode ser não apenas a salvação e ponto de alavancagem desses negócios emergentes, como também, o impulsionador da inovação de toda uma cadeia de valor e desenvolvimento de um setor.

Não é à toa que temas como Corporate Venture e Aceleração Corporativa passam a fazer parte do vocabulário do mundo corporativo, instituições de fomento e outros agentes de desenvolvimento do país. São abordagens que visam facilitar esta aproximação, interconexão e investimento de corporações em Startups.

Se você é empreendedor de uma Startup, sugiro que em vez de colocar todas as fichas na tentativa de encontrar um investidor ou fundo de Venture Capital, passe também a analisar alternativas de crescer se conectando ao mundo corporativo. Esta relação pode iniciar com o fornecimento de um produto ou serviço, passar por parcerias estratégicas e até mesmo, chegar a um investimento direto ou incorporação da Startup por uma empresa de maior porte.

Por outro lado, se você é um profissional ou gestor de uma média ou grande corporação e está com dificuldades em inovar, comece a olhar mais de perto para o mundo das Startups. São centenas de empreendedores com tecnologias e modelos de negócio bastante inovadores que muitas vezes precisam apenas da conexão certa para decolar. Pode ser a oportunidade de ouro que sua empresa estava procurando.

Empreendedores e corporações, se precisarem de ajuda para identificar e fomentar estas oportunidades, procurem uma Aceleradora. É parte de nossa missão ajudá-los neste processo!


 

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Sandro Cortezia é co-fundador e CEO da Ventiur, aceleradora associada da ABRAII e do Programa Startup Brasil. Há mais de dez anos atua como consultor em diversos projetos e instituições, principalmente em temas relacionados ao empreendedorismo, inovação, internacionalização, estratégia e encadeamento produtivo. É professor e coordenador do Pós-MBA em Gestão da Inovação na UNISINOS.