A Warehouse Investimentos, venture capital criada há 3 anos, fez seu primeiro exit ao vender toda sua participação na iFood para a Movile. Segundo Moises Herszenhorn, CEO da VC, a proposta foi da Movile, que está motivada a investir ainda mais recursos no projeto.

“A iFood continua a crescer, mas o preço era bom e justo e nós devemos ser pragmáticos”, comenta Herszenhorn. O executivo não diz quanto foi o preço da venda e nem quanto a Movile detém hoje. Em agosto de 2011 eles investiram R$ 3,1 milhões em 30% na startup. “Dá um pouco de dor no peito se despedir de uma empresa tão boa, mas temos que lembrar nossa responsabilidade: incentivar a inovação e devolver o dinheiro para os investidores”.

A Movile, que passa a ser dona majoritária da iFood, também já havia investido R$ 5,5 milhões na startup em agosto de 2013, com a ideia de ajudá-la a se expandir pela América Latina.

“Nossa relação com a Movile é super boa, tem a relação formal, mas temos os mesmos problemas e isso nos ajuda muito, estamos sempre em contato para alinhar estratégia, etc. Eles nos ajudam a melhorar sistema de gestão”, garante Felipe Fiovarante, CEO da iFood.

Em setembro de 2011, quatro meses após o início das suas operações, a iFood intermediava cerca de 11 mil pedidos on-line de comida por mês. Atualmente, contando com mais de 3.000 restaurantes ativos em mais de 20 das principais cidades economicamente ativas do País, a empresa registra 200 mil pedidos mensais.

Questionado sobre a concorrência pesada que a iFood enfrenta, principalmente em relação à Hellofood, Herszenhorn é categórico: “Agora que estou saindo posso ser um pouco arrogante – a iFood tem o melhor time do mercado, não é um nicho onde só o dinheiro fala. A iFood consegue entender o que o restaurante e o consumidor precisam”.

” A concorrência só vai aumentar, já somos maiores do que a soma de todos os outros competidores, mas o mercado é pequeno e tem muito oq crescer, então nesse ponto a concorrência ajuda. Mas vai ser sempre competitivo”, avalia Fiovarante.

Novos investimentos

“Olhando no cenário macro, estamos em um cenário muito frio e esse exit passa uma mensagem importante de que há empresas inovadoras que começam a tocar projetos bons independentes do pessimismo. Falando do mercado de VCs, o recado também é otimista, já que temos um case como o da iFood”, diz Herszenhorn.

A Warehous diz que, a partir de agora, começarão a focar em investimentos no porte de R$ 10 milhões, mais voltados a Series B. “A nossa ideia é ser o primeiro fundo mais estruturado de algumas startups”, diz. Segundo o executivo, eles estão fechando o seu primeiro fundo e começando a olhar para o segundo. Esse posicionamento ganha força com a presença mais atuante de três sócios – Marcelo Lacerda Lacerda (fundador da ZAZ, um dos primeiros provedores de internet do país, vendido à Telefônica), Sylvio Barros (fundador da Webmotors) e Marcelo Peano (sócio-fundador da Volt Partners).

De qualquer forma, Herszenhorn diz que continuará a apostar na ideia de ficar próximo dos empreendedores. “Isso está no nosso DNA – o nome de Warehouse veio inclusive porque tínhamos um galpão onde podíamos trabalhar junto com as startups. O espaço físico fechou, mas ainda hoje dedico a maior parte do meu tempo tentando entender o problema das startups e os ajudando a resolvê-los”.