Os exames de DNA são o foco de uma startup que quer popularizar o exame famoso em programas de auditório de gosto duvidoso. Fundada por André Ribeiro e Ricardo di Lazzaro, a Genera é uma startup incubada no Cietec que já fez 20 mil coletas para testes de DNA. Apesar de parecer que tem muita gente por aí querendo ter certeza de quem é o pai, na verdade, a startup tem outras finalidades, desde descobrir a ancestralidade da pessoa até saber a cor dos olhos de um bebê que ainda está na barriga da mãe.

A maior inovação da startup é o Kit Genera (foto), um kit que permite que qualquer um faça um teste de DNA sem sair de casa. Você recolhe o material das pessoas que terão os DNAs analisados e comparados e depois envia de volta para o laboratório da empresa. A ideia é popularizar os testes de DNA e os preços chamam atenção, o teste de ancestralidade custa R$ 299 e o do Kit Genera, para duas pessoas, R$ 500.

Conversamos com o cofundador Ricardo di Lazzaro e ele nos contou mais sobre a empresa. Veja.

Quando a startup foi fundada?

A Genera foi fundada há três anos e meio. Eu e meu sócio sempre fomos apaixonados por genética e eu fazia medicina e ele direito e começamos com a ideia de fazer um teste de paternidade mesmo, como início. Assim começou a DNA Barato, uma das vertentes da Genera. Logo investimos e passamos no edital da Cietec.

Quando passamos, queríamos oferecer mapeamento genético não médico para os consumidores. Hoje analisamos calvície, cor de olho do bebê durante a gestação e também temos uma parte de medicina personalizada.

Tem alguns exames que não fazemos porque não é um foco da empresa, não queremos ser um laboratório de análises clínicas convencional, queremos ser um laboratório de inovação em biológica molecular e genética.

Vocês se dedicam exclusivamente a exames de DNA?

Sim, mas não só paternidade. Exames de biologia molecular, mas tem diversos testes.

Para que outros fins além de paternidade os exames de DNA podem ser úteis?

Oferecemos testes de amostras forenses, por exemplo, e testes de DNA animal.

Como surgiu a ideia dos kits?

Vimos que muita gente queria fazer um teste de maneira sigilosa um exame que nem seria usado judicialmente, apenas para a pessoa saber. E tinha testes no mercado, mas todos muito caros. O teste por kits já é bastante oferecido nos Estados Unidos e é uma coisa que o consumidor brasileiro estava começando a se interessar.

Quantos clientes a startup já atendeu até hoje?

Por volta de 20 mil clientes.

Vocês receberam investimento externo?

Não, preferimos neste primeiro momento não abrir pra investimento. No entanto, no próximo serviço de medicina personalizada, que será um teste mais caro e que seria interessante nacionalmente, achamos que faria mais sentido um aporte. Mas por enquanto, não.

Quando vocês começaram a ser incubados pelo Cietec?

Há dois anos e meio. O Cietec é importante para nós. A gente quer se graduar e manter o vínculo com a incubadora. Já estamos dando pedaladas sozinhos, mas é legal manter a incubadora próxima por tudo que ela oferece.

Quais são os próximos passos da empresa?

A gente quer entrar na área de medicina personalizada, uma área nova no mundo inteiro, estamos com um projeto My Gene, a área que estamos desenvolvendo. Também queremos conseguir crescer em termos de unidade e temos coletas em SP, Rio, Campinas e Santos. Pretendemos expandir os parceiros e acrescentar novos testes no nosso leque de serviços.