Nesta sexta-feira, 08, a SitePX anunciou o investimento de R$ 3 milhões que recebeu da Sul! Internet. A plataforma de criação e gerenciamento de sites está há 3 anos no mercado e, com o investimento, pretende iniciar seu processo de globalização. A empresa foi avaliada em R$ 10 milhões e o investimento foi feito em troca de um equity de 30%.

A plataforma tenta ser um meio-termo entre WodPress e Wix, unindo um publicador de conteúdo simples e eficiente com a facilidade de leigos criarem e personalizarem seu próprio site na internet.

Com esse produto eles querem democratizar a possibilidade de qualquer um ter sua própria página online. Não por acaso, o foco deles está nos profissionais liberais e em pequenas empresas. Agora, também começam a olhar para as médias empresas. “A ferramenta é completa tanto para pequenas quanto médias companhias, mas queremos desenvolver alguns recursos extras para atender demandas específicas das médias empresas. Muitas delas, quando têm lojas online, precisam de recursos para cupons, promoções, e outras coisas que iremos oferecer a eles”, explica Luciano Kalil, co-fundador da startup.

Trabalhando nesse conceito, eles já ofereceram a plataforma para a criação de aproximadamente 325 mil sites. Em 2013 foram classificados como case da AWS Brasil (Amazon Web Services). E ainda recebem uma média de 300 novos clientes por dia.

O modelo de negócios deles é centrado em um plano de assinaturas, que custa aproximadamente R$ 10 por mês, além de R$ 40 anuais pelo domínio. Além disso, eles oferecem recursos para os clientes trabalharem no SEO ou criarem lojas online diretamente pela plataforma.

Ainda focando no usuário leigo, possuem uma série de vídeos e tutoriais em sua página, com o objetivo de ajudar o usuário na criação de seu próprio site. Um rápido passeio pela galeria deles e é fácil perceber como, apesar da ferramenta padronizada, há uma grande variedade nos estilos dos sites ali criados.

Outra estratégia que testam para a popularização do serviço é a ParceiroPX, que permite profissionais autônomos terceirizarem o uso da plataforma ao utilizá-la para criar sites e depois revende-los como desejarem.

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Investidor experiente, dinheiro inteligente

Apesar de o investimento ter sido feito em nome da Sul! Internet, ele era uma vontade de Eduardo Wei, que hoje não participa mais do operacional da empresa, mas ainda é o seu fundador.

A companhia, localizada em Curitiba, nasceu como um serviço de BBS, depois se tornou uma provedora de internet e mais tarde era uma empresa de telecomunicações. “Chegou uma hora que percebemos que teríamos que, literalmente, ‘fabricar internet’, oferecendo toda a estrutura possível. E é por isso que invisto em startups que agregam, é como se eu fosse uma construtora de rodovias que investe em montadoras de carros”, explica Wei.

“No caso da SitePX, o ganha-ganha é bem claro. Democratizando a criação de sites, estamos gerando mais dados, mais tráfegos e, portanto, mais clientes para usufruírem de nossas estrutura e abrindo possibilidade de trabalharmos mais com big data. No fim, queremos promover o ecossistema de internet aqui em Curitiba”, diz Wei.

Segundo ele, o que mais o impressionou na startup, foi o seu modelo de negócios maduro, que conseguiu se provar. “A plataforma tem alto impacto social, ela permite que qualquer um torne-se um web designer e no futuro consiga disponibilizar e vender seu trabalho facilmente na internet”, diz.

Wei ainda já investiu em outras startups, como a Sul! ao Vivo, empresa que oferece serviços de transmissão ao vivo para eventos, empresas privadas ou públicas; Ipê Telecom, empresa de telefonia digital; Jazz Media, agencia de mídia digital e Fish Hunter Noronha, uma empresa de turismo em Fernando de Noronha.

Largando um grande negócio para correr atrás do sonho

A história de Luciano Kalil e seu sócio Ricardo Cordts Monteiro trazem vários elementos interessantes que, no mundo das startups, já se tornou até clichê, mas não deixa de ser um tanto inspirador.

Ambos se conhecem desde a adolescência e, juntos, haviam fundado uma agência de web design que atendia mais de 50 clientes de grande porte. No entanto, tinham vontade de também atender a pequenos clientes – o que era inviável devido aos altos custos de produção.

Olhando para esse cenário, começaram a desenvolver, em paralelo, a SitePX, para democratizar a criação de sites. “Chegou uma hora que não dava mais para termos uma atividade que dava dinheiro, no caso nosso trabalho na agência, e à noite uma atividade que não dava dinheiro, a SitePX. Foi aí que decidimos que iríamos focar só no nosso sonho mesmo e fechamos a agência”, diz Kalil.

Nos dois anos seguintes, entre 2009 e 2010, eles ficaram desenvolvendo a plataforma, sem colocá-la no ar e vivendo do dinheiro que haviam guardado. Em 2011, o beta estava no ar. Mas, ainda gastariam dinheiro próprio por mais dois anos quando, finalmente em 2013, atingiam seu break even.

Um ano depois, conseguiram o aporte, estão com 325 mil sites criados e já falam em globalizar o produto. Com um jeito simples e tímido, Kalil diz: “É muito legal chegar aqui, ficamos anos ralando, correndo atrás do sonho e vendo a história de amigos empreendedores que também passavam o mesmo com startups. Agora, é a nossa vez também”.