Artigo de Christian de Castro, Consultor de Empresas da ABVCAP, submetido para publicação no Startupi.

Ao longo dos últimos 20 anos a indústria  audiovisual brasileira cresceu e se organizou, sobretudo na ponta do financiamento e do planejamento financeiro de projetos.  Nesse sentido, a entrada de novos jogadores de olho desenvolvimento deste mercado, como  Bancos de investimento, BNDES, AgeRio, FIRJAN, FINEP, Funcines, Fundo Setorial do Audiovisual,  investidores privados, junto aos tradicionais patrocinadores do setor através de leis de incentivo e ao poder público (MinC, Ancine e a RioFilme) provocou uma necessária estruturação por parte dos gestores audiovisuais, principalmente produtores e distribuidores nacionais.

Neste cenário, cada vez mais produções brasileiras chegam ao mercado e são bem percebidas, ocupando lugar de destaque, com mais produtoras e diretores entrando no gosto do público. Ainda que concentradas em gêneros específicos, comédias e biografias musicais, o conteúdo nacional revela a capacidade de produção e comunicação com o expectador da indústria de produção independente nacional.

Passando por mais um etapa de evolução, o mercado audiovisual caminha para a reorganização das empresas do setor com planejamento e governança visando a escalabilidade.

O forte aumento da demanda pelo conteúdo brasileiro independente é consequência do crescimento da base de assinantes de TV por assinatura a uma taxa de 25% aa nos últimos 4 anos  (este ano aponta para um crescimento de 16,5%, superando a marca de 17 milhões de assinantes ), da penetração da banda larga nas camadas mais populares, da exigência legal de exibição de conteúdo brasileiro independente no horário nobre dos canais por assinatura (Lei de Serviço de Acesso Condicionado, SeAC – Lei 12.485/11).

Estes fatores, associados à mudança no modelo de negócios nos mercados maduros, principalmente Estados Unidos, com a entrada de distribuidores de conteúdo pela internet na produção de conteúdo como NetFlix, Hulu e, mais recentemente, Amazon, colocam o Brasil com seus mecanismos de incentivo à produção e distribuição de conteúdo independente no holofote do mercado mundial.

Inserido neste contexto de mudança do modelo de negócios com o usuário, assinante, telespectador e consumidor cada vez mais querendo assistir ao conteúdo onde, quando e em qualquer plataforma disponível, as marcas têm procurado se inserir no conteúdo e não mais apenas nos breaks comerciais, que tendem ao desaparecimento.

O setor audiovisual brasileiro vive a oportunidade de virar um celeiro de propriedades intelectuais proprietárias, capazes de circular o mundo como já fazem países como Israel (“Homeland” e “Sessão de Terapia”), Suécia (“The Bridge”) e Dinamarca (“The Killing”), além dos tradicionais Inglaterra, Alemanha, França e Estados Unidos.

O principal reflexo é a movimentação causada pelo evento RioContentMarket (www.riocontentmarket.com) que caminha para sua quarta edição em março de 2014.

O encontro reúne produtoras, canais, programadoras, operadoras e governo. São convidados palestrantes, executivos, sales agentes e comissioning editors do Brasil e internacionais. Em três edições, o evento reuniu cerca de 6 mil executivos de mídias digitais e profissionais da indústria audiovisual de mais de 30 países. Foram 2.050 reuniões e rodadas de negócios, organizadas com mais de 230 players do mercado nacional e internacional.

Durante os processos de seleção do Venture Forum, temos percebido que nos últimos dois anos empresas do setor audiovisual buscando, não apenas investidores profissionais para alavancar seu crescimento, mas também aprimoramento de seus processos de gestão para que consigam suportar o crescimento pelo qual vêm passando.

É neste ambiente que realizaremos nosso próximo Venture Forum setorial focado no setor audiovisual, durante o Rio Content Market,  em 11 de março de 2014. Será uma oportunidade ímpar para  que empreendedores desta indústria possam apresentar seus modelos de negócios a investidores e, a partir deste casamento, da criatividade no desenvolvimento dos produtos com o capital empreendedor, criar propriedades intelectuais escaláveis em nível global.


Artigo de Christian de Castro, Consultor de Empresas da ABVCAPsubmetido para publicação no Startupi.

Imagem de abertura: Trey Ratcliff/Flickr(CC)