Artigo de Humberto Matsuda – Managing Partner da Performa Investimentos e Membro do Comitê de Empreendedorismo, Inovação, Capital Semente e Venture Capital da ABVCap, submetido para publicação no Startupi.

Ao longo da minha carreira como investidor, participei de diversos painéis, fóruns e mesas redondas em eventos não só no Brasil, mas também em diversos outros países, inclusive no Vale do Silício. Nesses eventos, sempre que existe uma audiência com empreendedores, uma pergunta surge para todos os investidores, independente do perfil do investidor, seja ele investidor anjo ou um fundo de investimentos, brasileiro ou estrangeiro.

– Quais são os principais fatores analisados por um investidor em uma empresa?

Cabe ressaltar aqui que cada investidor ou grupo de investidores possui seus próprios critérios e existem muitas variações no que cada um busca. Porém, existem certos tópicos que sempre serão objeto de análise.

A primeira pergunta que sempre deve ser respondida é: quem são os empreendedores? Muitos empreendedores costumam colocar fotos dos fundadores e o cargo de cada um, poucos colocam um breve descritivo de suas carreiras e quase nenhum toma o cuidado de realmente contar para os investidores o porquê de tais empreendedores estarem capacitados a desenvolver o projeto.

Obviamente, em um pitch de alguns minutos é impossível transmitir quem são de fato os empreendedores, mas também não é razoável esperar que um investidor tome a decisão de investir com base em um pitch. Portanto, a primeira reunião e no primeiro material a ser enviado para análise, a empresa deve demonstrar que o time existente possui não só um conjunto de expertises e experiência necessárias para definir e conhecer muito bem o problema a ser solucionado, mas também os recursos humanos para desenvolver um protótipo ou um MVP (Minimum Viable Product).

O que nos leva ao segundo ponto do objeto de análise: qual é de fato o problema? Muitas startups possuem ideias muito interessantes, mas poucas conseguem definir com precisão e objetividade o que de fato estão propostas a solucionar. A baixa compreensão do problema sempre causa outros problemas maiores, como a incapacidade de vender a solução; baixo interesse dos clientes; ciclo de vendas muito longo, etc.

Ser capaz de compreender o problema e explicá-lo muito bem demonstra que o time possui a maturidade para conceber uma solução que verdadeiramente resolve o problema. Isso se traduz na capacidade do time em mensurar o tamanho do problema e o valor da solução proposta. Não se trata, aqui, de preço, mas da capacidade de medir quanto se pode economizar, ganhar mais, ser mais feliz ou mais satisfeito.

Outro ponto fundamental é entender quem é o cliente de fato. A compreensão de quem é o verdadeiro cliente implica na capacidade de se verificar qual o melhor modelo de negócio, qual é a verdadeira proposição de valor e qual o verdadeiro potencial de alcance do produto ou serviço.

Por fim, o último elemento absolutamente fundamental para qualquer análise é a capacidade de se mensurar o tamanho do mercado. Parte dessa análise implica na complementaridade em se definir o alcance do produto ou serviço (não se trata de uma questão de market share), mas outra parte é definir a capacidade da empresa em continuar crescendo por muito tempo, dando a oportunidade aos primeiros investidores em venderem a sua parte para novos investidores,sucessivamente, até que a empresa seja incorporada por uma empresa maior, ou ainda consiga atingir um tamanho tal que ela se torne viável para um IPO.

Ressalto que mesmo na hipótese de um IPO, para que este possua algum potencial de sucesso, as perspectivas de crescimento da empresa devem ser praticamente infinitas.

Por fim, apesar de tais pontos serem os principais analisados, de forma alguma estes são suficientes para a tomada da decisão de investimento. Qualquer investidor que sabe o que faz, irá fazer diversas outras análises com o objetivo de garantir o alinhamento da empresa à sua tese de investimento.


Artigo por: Humberto Matsuda – Managing Partner da Performa Investimentos e Membro do Comitê de Empreendedorismo, Inovação, Capital Semente e Venture Capital da ABVCap.