29Sul: gaúchos do interior crescem com “software como serviço” para gestão de agências e projetos

Diego Remus em 31 de maio de 2010

Há algumas semanas, recebemos comentários muito interessantes neste post sobre uma startup catarinense que cresce com o Prime. Um dos comentários apreentava os gaúchos da 29Sul, que vem crescendo ao segmentar software as a service para agências de comunicação.

Agora, a 29Sul lança seu novo produto, mais voltado para gestão de projetos. Segue uma entrevista com um dos fundadores.

Qual é o histórico dos principais profissionais envolvidos?

A 29sul tem dois sócios com formações bem distintas. Felipe Diesel tem 26 anos e é desenvolvedor. Formou-se em Técnico em Informática  em 2001. Entrou para a faculdade de Ciência da Computação na Unisinos/RS em 2001 e transferiu-se para o curso de Sistemas da Informação na Univates em 2003, onde estuda atualmente. Mantém o blog http://felipediesel.com, já colaborou com revistas especializadas e hoje trabalha, além de PHP, com Ruby on Rails.

Eu, André Traichel, tenho 33 anos e sou publicitário de profissão. Em 1995 entrei para a faculdade de Publicidade e Propaganda na Unisinos/RS e em 1997 troquei para Educação Física, onde me graduei em 2007. Entre 1995 e 2005 trabalhei na área da Criação, na Direção de Arte. No currículo tenho o trabalho na GDCW Comunicação, Medialine Internet, Agência Um Propaganda, QG Comunicação e AGB Photo Library, sendo nessa última responsável pelo desenvolvimento de novos produtos, como a primeira linha de imagens royalty-free totalmente nacional, a “Wiredisc”.

Como tiveram a ideia de construir a 29sul? Quanto tempo faz?

Eu era publicitário em Porto Alegre e depois de 10 anos resolvi me mudar para o interior, isso em 2004. No início tentei mudar de ramo e montei um café, o que não deu muito certo e em 6 meses já estava falido. Voltei a trabalhar na capital, passando a semana lá e no fim de semana em Teutônia.

Depois de algum tempo eu resolvi tocar uma idéia que tive ainda quando trabalhava em agências, que era o de desenvolver um software de gestão para as agências que não dependesse do Windows, pois na maioria dos deptos. criativos os profissionais usam Apple.

Felizmente um dos frequentadores do falecido café, o Felipe Diesel, era desenvolvedor e nos tornamos amigos por conta das partidas de xadrez que jogávamos. Eu então comentei com ele a idéia e resolvemos começar o projeto, cada um na sua casa. Ele programando em PHP e eu montando os layouts com a minha experiência no ramo.

Como começaram a caminhar, planejar? Como foi o início?

Em 1º de março de 2005 colocamos no mercado o SiGA – Sistema de Gestão de Agências (www.sigasw.com.br), mas diferente do previsto, que era o de vender o software para instalar em um servidor web dentro da agência, o Felipe sugeriu que o fizéssemos por mensalidade e acesso através de um endereço na internet, dessa forma não precisaríamos nos deslocar para instalar e dar manutenção, podendo assim fazer um preço mais competitivo. Em julho daquele ano ganhamos nosso primeiro cliente, a Integrada Comunicação, agência que está conosco até hoje. Mas foi bem difícil.

Primeiro, o básico de montar um negócio sem ter uma formação para isso (aos leitores: comecem procurando o SEBRAE ou uma incubadora…) e em segundo explicar o próprio modelo de negócios. Naquela época ter banda larga de 300kb já era algo difícil em Porto Alegre e não ter o software nas mãos, aquele pacotinho com CD e manual, era algo que o pessoal achava (e ainda tem gente que acha) coisa muito arriscada.

Procuraram investidor? Procuraram parceiro?

Não, bem no início fizemos tudo por nossa conta. Como o SiGA demorava para conquistar novos clientes e não tínhamos verbas para publicidade, fazíamos sites para sustentar o negócio e cada real que sobrava investíamos na empresa, comprando uma mesa aqui, uma cadeira ali. Fizemos 2 empréstimos pessoais de R$ 3 mil (um com cada sócio) para ter um pequeno capital de giro e era isso. Durante um tempo até de casa trabalhávamos mas quando o nosso produto começou a alavancar a gente contratou uma consultoria do Sebrae, isso no final de 2008, e decidimos abandonar os sites e focar nos sistemas de gestão web.

No início de 2009 criamos a 29sul e procuramos a Inovates, incubadora da Univates de Lajeado/RS para aprender mais sobre gestão e fazer networking. Foi lá que descobrimos (sic) os editais do FINEP. Fizemos o projeto Sole para o PRIME e antes de sair o resultado inicial saímos da incubadora para voltar à Teutônia, pois o SiGA naquela altura do campeonato já sustentava bem a empresa.

Como funciona o produto? B2B? B2C?

O Sole, assim como o SiGA, é um sistema de gestão via web mas voltado para empresas que lidam com projetos. Diferente de outros gestores, o nosso vem com financeiro, agenda e contatos incluso, ou seja, se pode administrar todo um escritório de arquitetura ou empresa de webdesign com ele, sem precisar ter conta em 2 ou 3 serviços diferentes.

Como vem sendo a participação no Prime?

Excelente. Como não tivemos investidores sempre procuramos fazer as coisas nós mesmos. Mesmo sabendo o quão importante era uma consultoria de mercado, por exemplo, não tínhamos dinheiro em caixa para isso. Com o PRIME além de contar com o auxílio de vários profissionais (consultoria de mercado, assessoria jurídica, marcas e patentes e financeiro) nós mesmos começamos a perceber o mercado de maneira diferente.

O que o Prime representa na 29sul? Já dá pra perceber alguma diferença na empresa, no produto?

Hoje podemos dizer que a nossa empresa tem uma organização excelente, maturidade nas decisões estratégicas e uma possibilidade de expansão muito boa, mas nem por isso deixamos de nos lembrar de como foi o início. E isso nos é lembrado sempre que temos que prestar contas ao CEI/UFRGS, o agente operacional do FINEP aqui no RS por onde ganhamos o PRIME. É ótimo ganhar os recursos, mas tem que ter responsabilidade para usá-los adequadamente.

Quais são os desafios da 29sul? Como vocês acreditam que o Prime pode ajudar nisso?

Além do lançamento do Sole para a área de projetos, a nossa empresa vislumbra outros mercados onde entraremos mais seguros do que em 2005, graças à experiência que temos vivido com o PRIME. Acreditamos que são iniciativas como estas que mais empresas podem sobreviver e lançar produtos realmente interessantes e inovadores, fazendo a roda do mercado girar mais rapidamente trazendo beneficios a todos.

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Comentários (1)

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