Risco. Experiência. Pivots. Turn-arounds. Estas são preocupações frequentes no relacionamento (especialmente nas negociações) entre empreendedores e investidores de tecnologias da informação e comunicação.

Vamos conhecer o caso da Predicta, empresa criada pouco antes do estouro da bolha, que teve de mudar de rumo antes de se consolidar. Quem nos contou a história foi um dos fundadores, que também participará do 19 Fórum GVCepe de Venture Capital e Private Equity nesta quarta-feira.

“Se não fosse a bolha, não estarí­amos aqui hoje”: o caso da Predicta

Há alguns dias, conversei com Marcelo Marzola, que fundou a Predicta com 2 amigos em 2000, antes do estouro da bolha pontocom. “A vontade era fazer algo juntos”, resume Marzola. Resolveram que seria algo parecido com TicketMaster. Montaram plano de negócios, pensaram nas variantes. “Estávamos muito esperançosos em conseguir recursos. Batemos em 40 a 50 portas de fontes de investimento, mas não conseguimos”, conta.

Assim, os empreendedores tiveram de mudar de estratégia. Terceirizam a venda de propaganda e falaram com algumas empresas americanas. A partir dessas conversas, viram que não tinha gente atendendo essa demanda – de gerenciar propaganda online. “Como não encontramos fornecedor, resolvemos mudar de área e atuar no fornecimento”.

A mudança de rota parecia uma solução, mas trouxe junto outro problema. “Precisaríamos de tecnologia para fazer o gerenciamento dos espaços. Como conseguir? Comprar? Era muito caro. Começamos a construir do zero. Começamos com 80 mil Reais, dinheiro nosso e de família”, recorda Marzola. “A primeira plataforma que construímos foi totalmente inadequada, em Pearl. Aprendemos com nosso fracasso, mudamos para Java”.

“Aí­, começamos a ver que estávamos desenvolvendo tecnologia bem, estávamos sendo bem requisitados. Também percebemos que não tínhamos aprendido tão bem a vender publicidade. Então, por volta de 2001 decidimos focar em tecnologia de ad server. Vendíamos para veículos de comunicação. Depois, por evolução, começamos a trabalhar com os anunciantes. Eles precisavam usar para acompanhar a performance dos anúncios investidos”.

Hoje a Predicta está bem. “A maioria dos nossos clientes não está no Brasil. EUA, Europa, Ásia, Oceania, América Latina – são mais de 90 países. Dá uma sensação muito gostosa tirar seu primeiro salário da empresa que você criou – deve ter sido uns 3 anos após a fundação da empresa”. Recentemente, a Predicta foi a única empresa brasileira a participar – e expor – no evento Google I/O.

O evento desta quarta-feira, 23 de junho

O tema dessa nova edição do Fórum será debatido novamente por investidores e empreendedores – a exemplo da edição anterior, que foi sobre startups brasileiras na mí­dia internacional. A moderação fica por conta da Monique Shohet. O encontro inicia às 18h na sede da FGV, em São Paulo/SP.

Para participar, faça sua inscrição. Os debatedores serão:

  • Carlos Kokron – conselheiro estratégico do Grupo Stratus;
  • Fábio Seixas – fundador e CEO da Camiseteria;
  • Marcelo Marzola – sócio-fundador da Predicta
  • Michael Nicklas – fundador da SocialSmart