Dados do MeAdiciona vazaram na internet

Alexandre Fugita em 22 de março de 2009

Na sexta-feira (20/03) mensagens circularam no Twitter indicando um link com a possível base de dados do MeAdiciona. As mensagens, ao que tudo indica, foram postadas automaticamente por algum script malicioso em algum link clicado anteriormente pelo usuário do Twitter. A Cynara Peixoto O Rafael Silva do MundoTecno conseguiu baixar o arquivo e enviou para o Diego Sampaio do MeAdiciona. Este confirmou que aquele arquivo é parte da base de dados do MeAdiciona do mês de Janeiro.

O que me parece que aconteceu foi que alguém teve realmente acesso à base de dados de perfis do MeAdiciona. Por sorte as nossas senhas lá estão criptografadas em hash MD5.

O MeAdiciona, em nota oficial, diz que o fato das mensagens terem sido postadas no Twitter através da contas de vários usuários nada tem a ver com as senhas que vazaram do serviço e sim com  uma falha usando o ataque XSS que foi descoberta no Twitter. O MeAdiciona diz que usaram essa vulnerabilidade do Twitter para atacar a credibilidade do serviço.

O hash MD5 usado por muitos serviços web para armazenar senhas de forma criptografada é, em tese, irreversível. Vou explicar: o hash é criado a partir de um algoritimo matemático aplicado a bytes de informação. Ele serve para autenticar se aquela mensagem é a mesma criptografada no hash. Mas não existe conta matemática que faça o inverso, transforme o hash na mensagem original, seja ela um e-mail ou uma senha.

O que pode existir são bancos de comparação entre palavras comuns e seus hashs. Se você usa como senha para o seu e-mail a palavra “amor”, por exemplo, o seu hash MD5 é “5da2297bad6924526e48e00dbfc3c27a”. Alguém pode ter compilado equivalências para palavras comuns e seus hashs. Se você usa senhas fracas como essa para proteger seus logins certamente é fácil deduzir sua senha. É só procurar esse hash no Google pra ver como muita gente o usa.

Ou seja, alguém no poder das senhas do MeAdiciona realmente não tem como descobrir quais são aquelas senhas a menos que você use palavras fáceis e que estão espalhadas por aí nos dicionários de ataque hash MD5 - senha. Ou o hacker pode usar o ataque de força bruta e criar hashs para todas as possíveis combinações de senhas que existem, até achar a que seja exatamente igual ao seu hash. (altamente improvável, levaria centenas de anos usando o poder de computação atual).

De qualquer forma a recomendação é sempre mudar suas senhas peridiocamente. E, precisamos saber o que aconteceu com o MeAdiciona para deixar esse tipo de informação cair na rede.

Recomendo ainda ouvirem o episódio 35 do podcast Security Now (em inglês), que explica muito bem toda essa história de hashs para criptografia e autenticação de mensagens e senhas.

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Comentários (10)

  1. Rafa 22/03/2009 às 16:51:02

    Heh. Não foi a Cynara, Fugita. Quem escreveu o post fui eu. :P
    Sou um dos co-editores do mundo tecno.

  2. Alexandre Fugita 22/03/2009 às 17:20:22

    @rafacst,

    é verdade! Acabei de ver, hehe! eu fui pela lógica de que a Cynara é a dona do blog, hehe! corrigido!

    Abraços e parabéns pelo ótimo trabalho investigativo!

  3. Mickele Moriconi 22/03/2009 às 22:56:11

    E se o pessoal do MeAdiciona tiver feito de um jeito correto, não vai ser fácil (ou possível) recuperar as senhas com um simples dicionário de md5.

    Explico: você não precisa gravar o md5 idêntico a senha, por exemplo a senha “amor”, você pode gravá-lás no banco como “amor-super-senha-secreta”, assim sendo somente o MeAdiciona teria a segunda parte da senha.

    E no mais, acho que isso também é um alerta para quem utiliza a mesma senha em diversos serviços. Aposto que se descobrirem a senha de e-mail de várias pessoas, vão ter controle de todos os serviços da mesma.

  4. Pedro Markun 23/03/2009 às 05:40:51

    Fugita-san,

    acho que você da muito crédito ao MD5. Eu recomendaria em alto e bom tom que TODOS com conta no MeAdiciona trocassem suas senhas imediatamente.

    Me parece que uma falha grave de segurança dessas de um sistema cujo propósito é justamente guardar e mostrar publicamente os seus diferentes logins em diferentes serviços esta sendo tratado muito levianamente, não?

  5. Jonny Ken 23/03/2009 às 10:36:10

    Eu acho tão improvavel reverterem uma senha MD5 via “força bruta” que se alguém quiser, a senha de admin do migre.me em MD5 é c3735cc620ed4ccc02c87e337689cfc4

    Não estou preocupado!

  6. Alexandre Fugita 23/03/2009 às 10:39:32

    Boa, JonnyKen! hehehe!

    Eu até pensei em publicar aqui o MD5 de uma das minhas senhas, mas desencanei!

    @markun,

    certamente é sempre bom mudar senhas, até disse isso no texto!

    Abraços!

  7. Diego Sampaio 23/03/2009 às 11:07:42

    Fujita,

    Grato pela cobertura e explicações. O startupi e a SocialSmart são sempre bem-vindas no MeAdiciona.

    Abraços.

  8. Hugo 23/03/2009 às 13:49:12

    É, vc esqueceu de dizer que geralmente se usa um password “salt”, ou seja, não basta fazer a conversão para MD5.

  9. Alexandre Fugita 23/03/2009 às 13:54:16

    @Hugo,

    O Mickele, no comentário acima, ressaltou essa técnica. Implementando isso, nem com ataques de dicionário + tabelas de MD5 quebra-se a criptografia, certo?

  10. Wagner Elias 30/03/2009 às 17:25:55

    Pessoal,

    existem alguns problemas na abordagem sobre o md5.

    Primeiro, os algoritmos md5 e sha1 não são mais considerados seguros e não devem ser utilizados mais. Ambos tem problemas de colisão e vários cientistas vem comprovando matematicamente que não é necessário grande poder de processamento para quebrá-los.

    Bom, mesmo assim, considerando que o md5 não tenha colisão, mesmo com salt é possível quebrar as senhas, basta usar ferramentas como John The Ripper (www.openwall.com/john/ ) combinados com Rainbow Tables. As Rainbow Tables são hashs previamente compilados e indexados, ou seja, basta consultar o hash em uma base de hashs compilados e você tem a senha.

    Pra criar uma Rainbow Tables leva realmente muito tempo, mas hoje elas são vendidas, como podem ver neste site: http://www.freerainbowtables.com/

    Portanto, não subestimem os problemas de segurança em aplicações web. Eu sou líder do capítulo Brasil da OWASP (Open Web Application Security Project - http://www.owasp.org) e vejo com frequência sites/serviços na web com problemas sérios de segurança.

    Espero ter colaborado com a discussão.

    Abs.

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