Compreendendo o capital empreendedor

Diego Remus em 17 de outubro de 2009

É comum que o mercado tenha dúvidas sobre como funcionam os investimentos em startups, empresas iniciantes que geralmente precisam de ajuda para se posicionar e consolidar. Neste caminho, pode acontecer uma parceria com um investidor anjo e, mais tarde, com um fundo de capital empreendedor (também chamado de venture capital e algumas vezes “capital de risco”).

Visando ao esclarecimento de algumas questões, encontramos uma  apresentação chamada Understanding Venture Capital, criada pelo Simon Olson da DFJ FIR Capital. FIR Capital é um dos fundos de capital empreendedor mais bem conhecidos no Brasil e tem sido um dos pioneiros no mercado.

Para Ona Kiser, conselheira e tradutora do Startupi - e fã das coisas feitas simples - “esta é a apresentação mais clara e simples que eu já vi sobre como funciona capital empreendedor, vai ser um grande recurso”.

Quem tiver dúvidas, pode expressar nos comentários ou entrar em contato.

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Comentários (16)

  1. Diego Gomes 17/10/2009 às 20:19:22

    Ótima apresentação! Parabéns ao Startupi e também ao Simon!
    Tenho uma pergunta para o Simon, gostaria de fazer aqui:
    Alguns fundos de VC estão abandonando as taxas de administração.
    O Chris Dixon, fundador do Hunch e investidor (early stage) do skype é um dos críticos à prática: http://www.cdixon.org/?p=443
    Como são as taxas de administração no Brasil? Quanto do investimento elas geralmente absorvem?
    Existe alguma possibilidade de estas taxas serem reduzidas ou até mesmo desaparecerem eventualmente?

  2. Simon Olson 17/10/2009 às 23:16:53

    Oi Diego! :)

    What Chris Dixon says is that management fees on LARGE venture capital funds do not make sense.

    He isn’t against management fees, he is just against management fees on large funds.

    So, now the question becomes whether his argument is valid as applied to the Brazilian market?

    In this case, the answer is definitively “No!”.

    First, the size of the average venture capital fund in Brazil is only a fraction of the size of the average fund in the US.

    So, while it is common there to have US$500 million funds, the average fund here has less than US$50 million!

    So, since Brazilian fund sizes are small, his argument is not applicable.

    But it is not applicable here for a second reason as well.

    Chris Dixon is talking about developed markets and we are an emerging market.

    Why does this matter?

    Because emerging market companies require much more work than companies in developed markets.

    So, for example, if you were to compare the average company that walks through their door with the average company that walks through ours, our companies require much more work.

    For this reason, we actually have the opposite problem!

    Ou seja, we need larger fund sizes and or management fees to support the larger infrastructure necessary to support less developed companies.

    That said, things are moving in the right direction.

    If you would have asked me seven years ago when I first started working in venture capital in Brazil, if I would ever see companies of the quality that I see walking through our door now, I would have never believed it!

    So, all of you entrepreneurs out there, keep up the good work!

    Thanks!

    Um abraco,

    Simon :)

  3. Yuri Gitahy 18/10/2009 às 01:34:20

    Fala Diego,

    Pelos seus shares no Reader, vejo que você gosta muito do Dixon e da postura “fight the power” que ele sempre assume. Pessoas como ele e o Eric Ries são necessárias na indústria de VC americana, que anda precisando renovar suas estratégias de investimento e concorrência… Mas o ponto do Simon diz tudo: a realidade brasileira ainda é bem diferente. Vou tentar ser bem específico e dar mais exemplos pra você pensar.

    Pra começar, lembre-se que a base dos fundos americanos é o capital privado… Por aqui, a maioria dos fundos de seed capital em tecnologia usam verba da FINEP, BNDES e outros órgãos públicos. Esses fundos seguem regras bem específicas e são auditados de perto, por isso a taxa de administração não é uma regalia dada aos gestores do fundo - é a remuneração para que eles cuidem bem do dinheiro dos cotistas (que estão mais para governo do que investidores privados). Quer um exemplo mais direto? O FundoTec II da própria FIR, que aportou na SambaTech e SafeTrace. Ele alia capital privado a funding do BB, CESAR, FINEP, FUNCEF, PETROS e PREVI.

    Um outro ponto é que o mercado americano já passou por uma bolha. Isso significa que muita gente ganhou dinheiro especulando com startups, e esse dinheiro continua depositado na conta dos fundos. Para os EUA, o Dixon está certo: os caras fazem rounds maiores que nem sempre são justificados, parecendo que estão simplesmente atraindo mais “capital de giro” para os investidores. Agora compare essas duas realidades:

    1) FundoTec II, com capital comprometido R$ 77,4 milhões em _2009_
    2) Benchmark, com _US$_ 85 milhões em _1995_ e US$ 500 milhões em 2009.

    Simplificando a conta e sem corrigir o dinheiro, um fundo brasileiro (que pode ser considerado grande para nossos padrões) tem em 2009 _metade_ do montante que o fundo americano tinha 15 anos atrás - e ainda precisa de investimento público para atingir esse volume.

    Um mercado nascente como o de seed capital no Brasil precisa de atratividade para quem trabalhar nele. A taxa de administração é uma dessas coisas, e ainda é necessária por aqui. Enquanto o VC americano é pintado pelo Dixon como um cara grisalho, fumando seu charuto e contanto seu dinheiro sujo, o VC nos seed funds brasileiros tem preocupações maiores, como primeiro conseguir o dinheiro para contar.

    Talvez o argumento do Dixon comece a valer por aqui após termos passado por uma ou duas bolhas, e muita gente ganhado dinheiro com especulação sobre as startups. Aí sim a taxa de administração seria dinheiro fácil demais para um investidor que já estaria muito, muito rico… Até lá, precisamos nos concentrar em desenvolver os empreendedores, apoiar quem já foi investido e trabalhar para que nosso mercado se retroalimente em um círculo virtuoso de investimentos e boas saídas.

    Abraço,

    – Yuri

  4. Diego Sana 18/10/2009 às 10:29:44

    De fato a apresentação está bem didática, devia se chamar “Venture Capital 101″.

    Curisiodade: De quantos % é a taxa de administração de fundos brasileiros? Continuem a discussão, está muito boa :)

  5. Yuri Gitahy 18/10/2009 às 15:18:44

    Oi Diego,

    Cada fundo aprova sua taxa de administração junto aos acionistas, e a concretiza no regulamento do fundo. Eu pessoalmente acho difícil estimar uma taxa média de administração, porque os critérios para a composição de cada um são bem variados (montantes, metas de investimento / desinvestimento, objetivo do fundo, entre outros). Além disso, a taxa em cada fundo pode ser encarada como informação confidencial - dado que os fundos “disputam” os mesmos grandes cotistas e “concorrem” em chamadas como o Inovar Semente da FINEP. Uso aspas porque não é bem uma concorrência, dado que não é lá um mercado muito estabelecido e hoje tem mais oferta de dinheiro do que players para assumi-los.

    A CVM regulamenta tudo isso, e não existe fundo em atuação hoje que não obedeça às instruções que ela publica. O gestor de cada fundo deve ser certificado pela CVM, o que dificulta a atuação de qualquer um nesse mercado.

    Será que os administradores de fundos verão sua pergunta aqui e deixarão um comentário falando sobre a taxa que praticam? :)

    Abraço,

    – Yuri

  6. Diego Remus 18/10/2009 às 21:52:07

    Que bom que o post alimentou esta discussão interessante. É um prazer vê-los aqui - e rumo a mais realização profissional.

    Compartilho o artigo “Some complexities of Venture Capital Seed Investing”, do investidor/conselheiro/empreendedor Brad Feld.

    http://www.feld.com/wp/archives/2009/10/some-complexities-of-venture-capital-seed-investing.html

    Abraços de toda equipe Startupi.

  7. магазины сотовых телефонов в екатеринбурге 18/10/2009 às 22:33:55

    Why is this cost increasing when enrollment is decreasing?

  8. Daniel Coimbra 19/10/2009 às 09:30:13

    Muito esclarecedora a apresentação, principalmente pelos números concretos apresentados nos slides…

    Sucesso a todos!

  9. Leandro Alves 19/10/2009 às 11:18:39

    Muito boa a apresentação, principalmente por esclarecer alguns dos pontos que eu ainda tinha dúvida, como o tempo e a grandeza do retorno esperado pelos VC’s.

  10. Diego Remus 19/10/2009 às 14:19:52

    A Brazilian American Chamber of Commerce vai transmitir uma conferência web no dia 30 de outubro.

    Surging Brazilian Capital Market: Outlook and Review

    Confirmed Speakers

    - Gustavo Jorge Laboissière Loyola, Partner, Tendências Consultoria Integrada SS Ltda. and former Governor of Central Bank of Brazil

    - Guilherme da Nóbrega, Chief Economist, Itaú Securities

    http://www.brazilchamlive.com/AccountManager/RegEv.aspx?PIID=E956DA8484

  11. Andre Emrich 19/10/2009 às 15:37:43

    Contribuindo com a discussão sobre taxas de administração de fundos de VC / PE no Brasil…

    Vale notar que esta informação é pública, disponível no site da CVM…

    Basta acessar [http://cvmweb.cvm.gov.br/SWB/defaultCPublica.asp] e fazer a pesquisa pelo nome do Gestor, selecionar o fundo de interesse, e olhar o Regulamento do fundo…

    Vale ainda notar que os investidores institucionais brasileiros têm políticas pré-estabelecidas a respeito da taxa de administração de fundos de VC / PE, que são explícitas nas respectivas chamadas públicas de novos fundos.

    Como exemplo, vide a política BNDES [http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Apoio_Financeiro/Linhas_Programas_e_Fundos/Fundos_Investimento/formas_remuneracao.html]

    Abraços

  12. Yuri Gitahy 19/10/2009 às 18:41:03

    Olá André,

    Você sabe informar exatamente que classes de fundos (seed, VC, PE, …) estão relacionados a quais instruções CVM?

    Abraço,

    – Yuri

  13. Yuri Gitahy 19/10/2009 às 18:43:03

    Para ser mais preciso na pergunta, quais tipos de fundos são considerados FMIEE (Fundos Mútuos de Investimento em Empresas Emergentes) pela CVM?

  14. Diego Gomes 20/10/2009 às 05:22:24

    Sobre as taxas de administração:
    Formas de Remuneração

    Taxa de Administração

    Para fundos com patrimônio comprometido igual ou maior que R$ 200 milhões, a taxa de administração será de até 1,5% a.a. sobre o patrimônio comprometido ou R$ 4.000 mil/ano;

    Para fundos com patrimônio comprometido igual ou maior que R$ 100 milhões e inferior a R$ 200 milhões, a taxa de administração será de até 2,0% a.a. sobre o patrimônio comprometido ou R$ 2.500 mil/ano;

    Para fundos com patrimônio comprometido igual ou maior que R$ 60 milhões e inferior a R$ 100 milhões, a taxa de administração máxima será de até 2,5% a.a. sobre o patrimônio comprometido ou R$ 1.800 mil/ano;

    Para fundos com patrimônio comprometido igual ou maior que R$ 30 milhões e menor que R$ 60 milhões, a taxa de administração será de até 3,0%a.a. sobre o patrimônio comprometido.

    No período de investimentos, a taxa de administração poderá incidir sobre o patrimônio comprometido, devendo, posteriormente, incidir sobre o patrimônio líquido ou sobre o capital investido do fundo, descontados os desinvestimentos e amortizações efetuados ao longo do tempo.

    Para Fundos com patrimônio comprometido igual ou superior a R$ 200 milhões, a BNDESPAR, mesmo após a seleção do Gestor e/ou Administrador, poderá, na fase de due dilligence, solicitar o orçamento das depesas mensais a serem cobertas pela taxa de administração do Fundo, podendo em decorrência condicionar sua participação no Fundo a uma redução da referida taxa.

    Taxa de Performance

    Será de, no máximo, 20% dos ganhos distribuídos pelo fundo que excederem o capital original investido, atualizado pela variação de um índice de inflação (INPC, IPCA, etc.), acrescido de um custo de oportunidade. O valor da taxa de performance será obtido pela fórmula abaixo:

    Tp = (Va - (Cc - Vp)) x 20%

    onde:

    Tp = Taxa de Performance;
    Va = Valor que está sendo distribuído aos quotistas a título de amortização de cotas ou por ocasião da liquidação do Fundo;
    Cc = Custo de subscrição das cotas do Fundo, corrigido, da data de integralização até a data de cálculo, pela variação de um índice de inflação pré-definido, acrescida de um custo de oportunidade;
    Vp = Soma das quantias já distribuídas aos quotistas, atualizadas desde a data da sua distribuição até a data de cálculo, pela variação do mesmo índice de inflação aplicado na atualização do Cc, acrescida de um custo de oportunidade limitada ao valor do Cc.

    Somente poderá existir cobrança de taxa de performance quando o resultado da fórmula apresentada for positivo. A taxa está condicionada também à integralização de todo o patrimônio comprometido do Fundo ou após o término do período de investimentos, o que ocorrer primeiro.

    Mais aqui: http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Apoio_Financeiro/Linhas_Programas_e_Fundos/Fundos_Investimento/formas_remuneracao.html

  15. Simon Olson 20/10/2009 às 09:17:09

    Oi gente!

    Yuri, otimo comentarios!

    Bom, eu acho que a resposta para sua pergunta e CVM 209.

    Um abraco,

    Simon

  16. startupi » Pergunta do leitor: startups são empresas que financiam novos negócios? 26/02/2010 às 09:37:52

    [...] A visão de um angel investor sobre o mercado brasileiro A mentalidade startup A relação entre tecnologia, inovação, empreendedorismo, abertura, colaboração e investimento Compreendendo o capital empreendedor [...]

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