Casa de ferreiro, tijolo de silício
Alberto Escarlate em 03 de julho de 2009
Estará a cultura hacker atrapalhando os desenvolvedores americanos?
Minha experiência anterior com times de desenvolvedores na Índia e no Brasil aumentou meu interesse numa discussão levantada no blog O’Reilly Radar pelo meu amigo Jim Stogdill.
A discussão se originou da afirmação de que a maior parte dos formandos em computação nos EUA não são empregáveis pelos padrões indianos. Quem falou isso foi Vineet Mayar, CEO de uma empresa de terceirização – HTC Technologies. Sua teoria é que a informalidade da chamada cultura hacker não treina os profissionais nas metodologias e processos necessários para desenvolver software de qualidade. A discussão toda se polarizou comparando o Vale do Silício com a Índia e, no meu entender, acabou incluindo o Brasil no mesmo saco de gatos.
O bloco dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) está na moda e comparações às vezes acabam se tornando exageradas. Não percebo que o Brasil está, como a Índia, na contramão da cultura hacker. Pelo contrário, a percepção é que a facilidade de acesso ao software livre e popularização da Internet tem propiciado o surgimento de uma geração de ‘hackers’ que juntados a uma onda de empreendedorismo tem gerado uma série de inovações; além de tornar o Brasil um sério pólo de recursos de terceirização em desenvolvimento de software.
Pra quem não sabe, a Thoughtworks, consultoria global de TI que se baseia em métodos ágeis está para abrir uma filial no Brasil. Ainda para quem não sabe, a startup de relacionamento social power.com escolheu Salvador para basear a equipe de produto e tecnologia. Some-se a estes casos todos os outros publicados neste mesmo blog.
Certamente não podemos comparar o Brasil à Índia, China ou Rússia (ou à Bélgica mais a Índia como feito nos anos 70), a criatividade da cultura brasileira certamente servirá como diferencial.
Sobre o autor do texto, convidado especial:
Alberto Escarlate é CTO e sócio-fundador do TigerTag.com, um serviço internacional e gratuito de achados e perdidos, lançado no primeiro trimestre de 2009. Também ajuda como CTO interino do aplicativo social de geolocalização YellowPin (atualmente roda no Facebook com versões para o MySpace e para celulares sendo implementadas). Antes disso, Alberto foi CTO da Entertainment Media Works, uma startup que criou vários produtos de comércio contextual (StarStyle, Stylelogue e Plink). Radicado em Nova York há 12 anos, ele tem trabalhado sempre em projetos de tecnologia interativa de ponta. No Brasil, Alberto trabalhou como Diretor de Tecnologias e Projetos da Midialog, sendo parte do time original que formou a empresa antes de ser renomeada Agência Click. Blogueiro de primeira geração, Alberto já escreveu para blogs como Engadget, Silicon Alley Insider, TUAW e Smart Mobs, entre outros.